Hugo Motta e Davi Alcolumbre são favoritos para presidir as Casas; governo busca aproximação para garantir governabilidade
O Congresso Nacional se prepara para eleger, neste sábado, os novos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Os favoritos são o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) e o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ambos com forte apoio do Centrão. A escolha mantém o bloco no controle do Legislativo, reforçando sua influência sobre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A eleição ocorre em um momento de fragilidade para o governo, que enfrenta queda na popularidade e dificuldades na articulação política. Para evitar novos impasses, Lula tem buscado se aproximar dos candidatos favoritos, oferecendo cargos na Esplanada como moeda de troca. No entanto, o Centrão tem aumentado o custo desse apoio, temendo se comprometer excessivamente com o projeto petista.
Orçamento e embates com o Judiciário
Um dos principais desafios da nova legislatura será a relação com o Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente após a decisão do ministro Flávio Dino, em agosto do ano passado, de bloquear emendas parlamentares. O tema deve voltar à pauta neste mês, quando o Orçamento de 2025 será votado. O Judiciário pressiona por mais transparência na distribuição das emendas, enquanto parlamentares acusam o governo de atuar nos bastidores para reduzir os repasses.
Em resposta, Lula afirmou na quinta-feira que “o governo não tem nada a ver com as emendas parlamentares”. Segundo ele, as emendas foram “uma conquista de um governo irresponsável que não governava o país”, e agora caberá ao Congresso e ao Executivo encontrar um acordo definitivo.
A oposição, por sua vez, deve insistir em uma pauta polêmica: a anistia aos presos pelos atos golpistas de 8 de janeiro. Já o governo quer priorizar medidas econômicas, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
Candidaturas alternativas e oposição ao Centrão
Embora a eleição de Motta e Alcolumbre seja praticamente certa, candidaturas avulsas surgem como forma de marcar posição. Na Câmara, Marcel van Hattem (Novo-RS) e Pastor Henrique Vieira (PSol-RJ) entraram na disputa. Vieira defende que a presidência da Casa precisa atuar na proteção de grupos historicamente oprimidos e critica a continuidade do Centrão no comando do Congresso.
“A Câmara controlada pelo Centrão mantém um diálogo próximo com a extrema-direita e chantageia o governo, flertando com uma lógica fisiológica e autoritária”, afirmou Vieira.
No Senado, além de Alcolumbre, há quatro candidatos que dificilmente terão sucesso: Marcos Pontes (PL-SP), Marcos do Val (Podemos-ES) e Soraya Thronicke (Podemos-MS).
Com o favoritismo de Motta e Alcolumbre, o Centrão deve consolidar ainda mais seu poder, mantendo-se como peça-chave nas negociações políticas e na distribuição do Orçamento.
Por: Manoel Messias
Foto: câmara dos deputados