Ex-presidente nega envolvimento em plano golpista e critica investigações da PGR
Jair Bolsonaro (PL) voltou a se defender das acusações de tentativa de golpe que pesam sobre ele. Em uma entrevista ao jornalista Léo Dias, o ex-presidente reiterou que o ex-ajudante de ordens Mauro Cid foi “torturado” durante sua delação premiada e sustentou sua versão de que os ataques golpistas de 8 de janeiro foram orquestrados pela esquerda.
Bolsonaro, denunciado pela Procuradoria Geral da República (PGR), desafiou a narrativa oficial, afirmando que os invasores do Congresso e do Palácio do Planalto eram “pobres coitados” e que os ataques foram apenas “vandalismo”. “Quem vai tentar dar golpe em um prédio sem armas, sem liderança? É claro que isso foi algo programado”, disse. Ele também se referiu aos manifestantes como indivíduos com “bíblia na mão”, descreditando o ato como um golpe verdadeiro.
Além disso, Bolsonaro tentou justificar a falta de imagens claras dos momentos críticos das invasões, dizendo que as imagens mostravam apenas indivíduos quebrando objetos sozinhos, o que, segundo ele, indicaria que o ato não foi espontâneo. “Foram 33 alertas da Abin para o GSI, o que mostra que havia planejamento por trás”, afirmou.
O ex-presidente também se defendeu da acusação de envolvimento em planos de golpe após a sua derrota nas eleições de 2022. Relatos de áudios revelados pela TV Globo mostraram militares e civis discutindo uma possível ação golpista, incluindo uma busca por apoio junto a Bolsonaro. Ele negou qualquer participação e explicou que, em momento algum, convocou conselhos ou cogitou um estado de defesa ou de sítio. “Nós só queríamos discutir o que faria em um caso de crise institucional”, disse.
Bolsonaro também aproveitou a ocasião para relembrar sua relação com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comparando suas trajetórias e fazendo uma reflexão sobre a intervenção divina que ambos alegaram ter recebido em momentos críticos.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo