Escutas telefônicas indicam que Julieta Cantaluppi obrigava atletas a tirarem a roupa como castigo por erros
O escândalo envolvendo a ginástica rítmica italiana ganhou novos contornos com revelações sobre práticas abusivas dentro do esporte. Segundo o jornal La Gazzetta dello Sport, escutas telefônicas obtidas pelas autoridades apontam que a ex-treinadora Julieta Cantaluppi teria imposto punições humilhantes a atletas, incluindo a obrigação de tirarem a roupa em caso de erros durante os treinamentos.
As denúncias surgem poucos dias após a demissão da também treinadora Emanuela Maccarani, acusada de abuso psicológico contra ginastas. Nos áudios, uma conversa entre a auxiliar técnica Olga Tishina e Natalia Nesvetova, diretora técnica da Ginástica Etrúria, revela detalhes das práticas de Cantaluppi. “Com ela, tudo era muito pior. Ela fazia Sofia Raffaeli e Serena Ottaviani lançarem o arco e, toda vez que erravam, tinham que remover parte das roupas, até ficarem apenas de roupa íntima”, afirmou Tishina.
Além dessa prática, a ex-técnica também teria imposto punições como isolamento em quartos pequenos e frios, sem acesso a celulares ou qualquer outra comunicação, como forma de castigo por desempenhos considerados abaixo do esperado.
Sofia Raffaeli, medalhista de bronze no individual geral dos Jogos Olímpicos de Paris-2024, foi citada entre as possíveis vítimas dessas punições. Apesar das graves alegações, Cantaluppi não foi formalmente acusada, pois nenhuma atleta apresentou denúncia direta contra ela. Já Maccarani enfrenta um processo em Monza, onde promotores pedem que ela seja julgada por maus-tratos a ginastas.
A revelação dos abusos intensifica as discussões sobre a conduta de treinadores no alto rendimento da ginástica rítmica italiana, ampliando a pressão por mudanças estruturais na modalidade.
Por:Bruno José
Foto: Getty Images/Christina Pahnke