Denúncias de fraude e prejuízo bilionário levaram à saída de Lupi; em 2011, ele já havia renunciado no governo Dilma após acusações no Ministério do Trabalho
Carlos Lupi (PDT) pediu demissão do Ministério da Previdência Social nesta sexta-feira (2/5), após ser envolvido no escândalo de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Essa é a segunda vez que Lupi deixa um ministério durante gestões do PT. Em 2011, ele renunciou ao Ministério do Trabalho no governo Dilma Rousseff, sob acusações de uso irregular de recursos públicos.
A decisão foi apresentada diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que aceitou o pedido. Lupi perdeu força política após a operação da Polícia Federal que investiga cobranças indevidas feitas por entidades diretamente na folha de pagamento de aposentados e pensionistas do INSS.
O esquema foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens iniciadas em dezembro de 2023. As matérias mostraram como entidades autorizadas pelo INSS aumentaram em até 300% o faturamento com mensalidades cobradas de aposentados, acumulando mais de R$ 2 bilhões em um ano. Muitas dessas associações eram alvo de milhares de processos por fraude nas filiações. A apuração resultou na Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que ocorreu em abril e culminou na queda de Lupi e do presidente do INSS.
As investigações apontam um prejuízo potencial superior a R$ 6 bilhões. Documentos analisados pela Controladoria-Geral da União e pela Polícia Federal levantam suspeitas sobre a extensão do conhecimento de Lupi acerca do esquema, sugerindo omissão.
A trajetória de Lupi no governo já tinha sido marcada por desgaste em 2011, quando, no comando do Ministério do Trabalho, foi acusado de se beneficiar de verbas destinadas a ONGs com contratos no ministério. Na época, ele também optou por antecipar sua saída diante da pressão do governo e da recomendação da Comissão de Ética da Presidência.
Agora, mais de uma década depois, Lupi volta a deixar o governo sob o peso de denúncias, reforçando a crise política em torno do INSS e provocando impactos no já conturbado cenário da Previdência Social.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil