Decisão de investigar “práticas injustas” acirra tensão com Lula; governo americano acusa Brasil de prejudicar empresas de tecnologia e proteger desmatadores
Mais uma vez, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usa o comércio como arma política. O anúncio de uma nova investigação contra o Brasil, revelado nesta terça-feira (15), coloca o governo Lula sob forte pressão e reacende a tensão diplomática entre os dois países.
A medida é, segundo analistas, mais um movimento da cartilha eleitoral de Trump: mirar o Brasil como “vilão ambiental” e protetor de empresas locais, para ganhar apoio entre agricultores e conservadores americanos.
O comunicado do Escritório do Representante Comercial dos EUA acusa o Brasil de prejudicar empresas americanas — incluindo gigantes da tecnologia — e de não aplicar suas próprias leis contra o desmatamento ilegal. Também reclama das tarifas sobre o etanol importado dos EUA, que deixaram de ser isentas após decisão do governo Lula.
> “Trata-se de uma retaliação política disfarçada de investigação”, afirma um diplomata brasileiro sob anonimato. “O Brasil não pode ser tratado como pária porque decide regular sua economia de forma soberana.”
A resposta do governo brasileiro foi dura, mas até agora sem efeito prático. O vice-presidente Geraldo Alckmin revelou que tentou dialogar com Trump, sem sucesso. O Itamaraty afirmou que “o Brasil lamenta o tom hostil adotado pelos Estados Unidos” e que buscará apoio de organismos multilaterais.
Nos bastidores, setores do agronegócio e da indústria exportadora temem que essa escalada acabe prejudicando o comércio bilateral, hoje estimado em mais de US$ 70 bilhões anuais. E a avaliação é que, com Trump em campanha, o embate só tende a se aprofundar.
O comunicado do órgão de comércio dos EUA
Leia tradução da íntegra do comunicado do USTR sobre a abertura de investigação sobre o Brasil.
Hoje, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos iniciou uma investigação sobre o Brasil, nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A investigação buscará determinar se atos, políticas e práticas do Governo Brasileiro relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais injustas; interferência anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal são irracionais ou discriminatórios e oneram ou restringem o comércio dos EUA.
“Sob a orientação do Presidente Trump, estou iniciando uma investigação nos termos da Seção 301 sobre os ataques do Brasil às empresas americanas de mídia social, bem como outras práticas comerciais desleais que prejudicam empresas, trabalhadores, agricultores e inovadores tecnológicos americanos”, disse o Embaixador Greer. “O USTR detalhou as práticas comerciais desleais do Brasil que restringem a capacidade dos exportadores americanos de acessar seu mercado há décadas no Relatório Nacional de Estimativa de Comércio (NTE). Após consultar outras agências governamentais, assessores credenciados e o Congresso, determinei que as barreiras tarifárias e não tarifárias do Brasil merecem uma investigação completa e, potencialmente, uma ação corretiva.”
Por: Genivaldo Coimbra
Foto Destaque: Reprodução/Instagram/@realdonaldtrump