Tarcísio, Zema, Caiado e Ratinho Júnior não compareceram a manifestações; receio de confronto com STF é apontado como motivo
A ausência de governadores aliados da direita nas manifestações deste domingo (3) causou desconforto entre bolsonaristas presentes nos atos realizados em várias capitais. Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG), Ronaldo Caiado (GO) e Ratinho Júnior (PR) foram os principais alvos das críticas nos bastidores.
Deputados e organizadores apontaram que os quatro estariam evitando se expor para não entrar em confronto com o Supremo Tribunal Federal (STF), que foi duramente criticado durante os protestos. Faixas, cartazes e discursos miraram especialmente o ministro Alexandre de Moraes.
Em São Paulo, o pastor Silas Malafaia, coordenador do ato, usou o microfone para alfinetar os ausentes. Sem citar nomes, questionou “onde estão os que dizem ser a alternativa a Bolsonaro?”, insinuando que os possíveis presidenciáveis estariam com medo de enfrentar o STF.
Tarcísio justificou a ausência com um procedimento médico agendado. Já os demais governadores, procurados pela CNN, não responderam aos questionamentos até a publicação. A ausência, no entanto, foi vista como estratégica por analistas políticos ligados à base conservadora.
Apesar da insatisfação, alguns governadores da direita marcaram presença, como Jorginho Mello (SC) e Cláudio Castro (RJ), que foram aplaudidos nos palanques e tiveram discursos alinhados ao bolsonarismo. O cenário reforçou a divisão entre aliados do ex-presidente em meio à incerteza sobre as eleições de 2026.
Com Bolsonaro inelegível, cresce a pressão para que possíveis sucessores se posicionem com mais firmeza. As ausências nos atos foram lidas como sinais de hesitação ou cálculo político diante de um cenário ainda marcado por judicializações e embates com o Judiciário.
Por: Genivaldo Coimbra Via O Globo
Foto: Brenno Carvalho | Mônica Andrade/Governo do Estado de SP | Edilson Dantas | Brenno Carvalho