Deputado do PL descreve acusação como “mentira criminosa” e diz que processará o presidente por difamação
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou nesta sexta-feira (29) que Lula será processado por ele por declarações feitas em uma entrevista concedida à Rádio Itatiaia. Sem nomear o parlamentar, o presidente também disse que um vídeo que ele divulgou sobre mudanças na operação do sistema PIX foi, na verdade, uma defesa do crime organizado.
Lula disse ao jornal em uma entrevista que um deputado liderou uma campanha contra as propostas da Receita Federal e que, com o tempo, percebeu-se que a iniciativa favorecia organizações criminosas. “Há um deputado que fez campanha contra as mudanças propostas pela Receita Federal. Agora está provado que o que ele estava fazendo era proteger o crime organizado e não vamos dar trégua ao crime organizado”, acrescentou.
O comentário rapidamente causou impacto nas redes sociais. Viaduto Nikolas, um dos marcos da oposição bolsonarista na Câmara, reagiu fortemente. Ele rotulou a declaração do presidente em uma publicação como “vilania”.
> “Em rede nacional, Lula MENTIU: afirmou, intencionalmente e sem provas, que DEFENDI o CRIME ORGANIZADO. Uma mentira maldosa, criminosa e imprudente. Verei este homem no tribunal para que ele seja responsabilizado por esta difamação, assim como verei outros – estou estudando tudo”, escreveu.
A disputa a que o vídeo de Lula se refere remonta a discussões sobre regulamentações pelo Banco Central e pela Receita Federal para maior vigilância das transações financeiras. Críticos disseram que as mudanças poderiam prejudicar usuários normais do PIX, mas o governo afirmou que eram necessárias para frear fraudes e o movimento ilegal de dinheiro ligado ao crime organizado.
Ao recorrer aos tribunais, Nikolas intensifica o confronto político com o presidente, em um momento em que o Congresso está prestes a votar medidas econômicas e planos de segurança pública que têm gerado tensões entre seu governo e a oposição.
Por: Lucas Reis
Foto: Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil e Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados