Apenas 21% dos pacientes em todo o mundo conseguem controlar adequadamente, com especialistas alertando para o perigo de uma “epidemia silenciosa”
A pesquisa, publicada na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology, descobriu que um número significativo de pessoas em todo o mundo com diabetes tipo 2 não estava sendo efetivamente diagnosticado e tratado. O estudo foi realizado pelo Instituto para Métricas e Avaliação da Saúde da Universidade de Washington (IHME) com colaboradores em 204 países e territórios entre 2000 e 2023.
Os resultados indicam que 44% da população global com 15 anos ou mais com diabetes em 2023 não estava diagnosticada. O subdiagnóstico é ainda mais alarmante quando se trata do segmento dos jovens adultos, que são exatamente o grupo de pessoas que têm mais probabilidade de experimentar complicações relacionadas a longo prazo.
Dos que foram diagnosticados, 91% receberam algum tipo de tratamento medicamentoso, mas apenas 42% conseguiram controlar os níveis de glicose. Isso equivale a apenas 21% de todos os pacientes com diabetes ao redor do mundo conseguindo mantê-la como deveria.
Risco crescente
A autora principal do estudo, a pesquisadora Lauryn Stafford, observou que o número de pessoas vivendo com diabetes ao redor do mundo atingiria cerca de 1,3 bilhão até 2050. “Se perto de metade desses indivíduos não sabe que tem um distúrbio potencialmente fatal e sério que pode ter complicações graves e requer tratamento, isso pode se tornar uma epidemia silenciosa”, ela alertou.
Os resultados enfatizam a importância de aumentar os serviços de prevenção e detecção demograficamente específicos para pacientes mais jovens e aqueles em áreas de poucos recursos, além de expandir o acesso a medicamentos e testes de glicose no sangue nessas regiões.
Situação no Brasil
O Ministério da Saúde brasileiro acredita que o Brasil tem 24,59 milhões de diabéticos. A endocrinologista Deborah Beranger, do Rio de Janeiro, acredita que o controle da doença é mais do que apenas tomar comprimidos. “De toda forma, precisamos ensinar os pacientes a viver. O diabetes não controlado desencadeia inflamações no corpo que impactam tudo, desde a visão, nervos e rins até o coração e a cicatrização”, acrescentou.
Por: Lucas Reis
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil













