Marconi, o líder isolado
Marconi Perillo foi um fenômeno na política goiana, especialmente nos anos 90. Inquieto, construiu carreira na oposição aos governos do MDB, com uma tribuna ácida na Alego. O mandato de deputado estadual serviu de cartão de visitas para ser deputado federal, governador e senador, em vitórias seguidas nas urnas. Mas quem é o “fenômeno” Marconi hoje? Nada mais do que a fama. Com direito a derrotas sucessivas nas últimas eleições estaduais, com o agravante de não conseguir se consolidar como o grande líder da oposição. Como se apresentou em 1998.
É preciso lembrar que Marconi era apenas candidato à reeleição naqule ano. Acabou ocupando o espaço deixado pela desistência de Roberto Balestra para concorrer ao governo. As pesquisas internas apontavam Marconi e o então deputado Sebastião Tejota como os nomes emergentes capazes de enfrentar Íris Rezende, na disputa pelo governo. Deu Marconi, que teve a rara união das oposições para enfrentar o PMDB, que tinha a supremacia na época.
Pois Marconi venceu e fez questão de arrumar confusão com os companheiros de campanha. Por motivos diferentes e em ocasiões que achou mais propícias, brigou com Pedrinho Abrão, Lúcia Vânia e Pedrinho Abrão, na busca para ser o único líder das forças que chegavam ao governo. Com Ronaldo Caiado, fez a operação mais ousada, retirando do então PFL comandado pelo hoje governador, a maior parte dos prefeitos eleitos pela sigla.
No governo, Marconi desenvolveu uma paixão por atrair adversários. Fazia novos amigos e descartava antigos. Simples assim. Rifou até o antes companheiro e vice Alcides Rodrigues, para voltar ao Palácio das Esmeraldas, em 2010 com uma nova leva de aliados, que desfiguraram o rosto polítco do então líder.
Ao ser humilhado nas urnas, com derrota pessoal ao Senador e do seu novo vice, José Eliton, ao governo, Marconi acabou caindo naturalmente no isolamento. Sem poder, sem pressão. Sem pressão, sem amigos. Essa foi a lei, com raras exceções.
Mesmo repetindo que gostaria de defender o seu legado, a primeira coisa que Marconi fez foi se mudar para São Paulo. Apensar de falar deste legado, o medo de perder a eleição majoritária sempre foi maior. Não quis enfrentar Caiado nas urnas. Ninguém confirma publicamente, mas Marconi estaria mais preocupado em conseguir um mandato legislativo, para se proteger nos processos que responde na justiça. Continua convivendo com a situação, e sem o mandato. Já enfrentou o isolamento e a voz de prisão. E continua longe das vozes da rua.
Em uma operação pouco compreendida, assumiu o comando nacional do PSDB. E aí mostrou a face definitiva do líder isolado. Viu o tucanto se apequenas e defendeu a fusão do partido com outras siglas. Negociou com Podemos, Repulicanos, MDB… Fracassou em todas. Em Goiás, viu o partido eleger apenas sete prefeitos nas últimas eleições, o que coloca o PSDB como sétimo em Goiás. Uma posição ridícula, em relação aos bons tempos de ambrosia e vinhos no Palácio das Esmeraldas.
Em Goiânia, elegue apenas dois vereadores, que correm cada vez mais em raia própria. Aava Santriago parece muito mais próxima de Lula do que de Marconi. Tião Peixoto… Bem, Tião Pixoto é ele mesmo e pode seguir outro rumo a qauqleur momento.
O tempo passou e parece que Marconi não viu. É um político desligado do seu legado, sem rumo e sem plateia disposta a segui-lo. Se é verdade que tem aparecido como opção ao Governo de Goiás, também é real a convivência com uma rejeição que não baixa há tempos. Fruto ainda dos anos de comando e desmando, que o levaram a ser, hoje, o líder isolado, pouco mais de um líder de si mesmo. O tempo está mostrando isso. Um novo tempo, duro e sem volta para Marconi.
Por: Redação
Foto: Ailton de Freitas / Agência O Globo