Bolsonaro é acusado de denegrir publicamente um cidadão negro ao dizer que o cabelo dessa pessoa cheirava como o de um “criador de baratas”
A 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a pagar R$ 1 milhão por danos morais coletivos por racismo recreativo reverso. Esse montante também é retido da União. As declarações foram feitas por Bolsonaro quando falou aos jornalistas em frente ao Palácio da Alvorada e também em suas transmissões ao vivo nas redes sociais.
Houve outra vez em que Bolsonaro viu um apoiador negro com um estilo de cabelo afro e fez comentários ofensivos, dizendo que parecia um “criador de baratas”. Ele também disse que o homem não podia ser tratado com ivermectina porque “mataria todos os piolhos” e afirmou ter avistado “uma barata” no cérebro dele. As declarações levaram o tribunal a considerá-las como “racistas” e “pejorativas”.
O relator do processo, juiz federal Rogério Favreto, descreveu que quando as pessoas disfarçam expressões como brincadeira estão reforçando o preconceito racial e perpetuando processos históricos de desumanização. “Esse tipo de racismo leve e amigável pode ser usado como uma forma de dizer: ‘Somos apenas bons rapazes'”, afirmou.
Favreto enfatizou que a comparação desse corte de cabelo black power com insetos, incluindo baratas, não só afeta a honra e a dignidade dos negros, mas também reforça um discurso de inferioridade. A decisão é apenas mais um capítulo nas batalhas legais em curso de Bolsonaro e amplia a conversa sobre se um governante deve ser responsabilizado por comentários de teor racial.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil