Investigações apontam que ex-meia do Corinthians foi consultado como “crivo técnico”, mas não há indícios de participação em crimes financeiros
A Polícia Federal e o Gaeco investigam um esquema que mistura facções criminosas e o agenciamento de jogadores de futebol. Conversas interceptadas em aplicativos de mensagens indicam que integrantes ligados ao PCC consultavam o ex-jogador Danilo Gabriel de Andrade, ídolo do Corinthians e com passagens por Goiás e Vila Nova, para opinar sobre talentos das categorias de base. O objetivo seria usar a avaliação técnica como parte de um processo que incluía a aproximação de famílias e a formalização de procurações.
Em mensagens trocadas em 2021, por exemplo, o nome de Du Queiroz, então no Sub-23 do Corinthians, aparece como destaque após suposta análise de Danilo, sendo comparado a Paulinho, volante consagrado do clube. As conversas também citam valores, documentos e registros na CBF, embora não esteja claro se tratavam de negociações legítimas ou de movimentações financeiras ilícitas.
A lógica do esquema, segundo os investigadores, era simples: obter respaldo técnico para reforçar a credibilidade, conquistar a confiança de atletas e familiares e, assim, garantir participação em futuras transferências e comissões milionárias. A agência FFP, que na época representava nomes como Du Queiroz e Igor Formiga, também surge nos diálogos. Entre os atletas citados estão Gustavo Scarpa, Caio Matheus e Felipe Negrucci.
Apesar de aparecer nas conversas, Danilo não é acusado de envolvimento direto em crimes. As investigações destacam apenas que sua opinião era mencionada como referência técnica. Documentos também revelaram fotos antigas ao lado de policiais investigados, mas, até agora, não há indícios de que o ex-meia tenha participado de esquemas de lavagem de dinheiro ou de outras práticas ilícitas.
Por: Bruno José
Foto: Reprodução