Mulher diz ter pago R$ 200 mil em promessas de “trabalhos amorosos”; grupo usava perfis com influenciadores para atrair clientes
A Polícia Civil prendeu nesta quinta-feira (16), em São Paulo, Hugo Rafael, conhecido como Pai Hugo de Oxalá, apontado como líder de um esquema de estelionato religioso. O grupo, segundo as investigações, teria usado perfis em redes sociais para atrair vítimas e aplicar golpes baseados em falsas promessas de rituais espirituais.
Uma das vítimas, uma advogada do Rio Grande do Sul, afirmou que foi extorquida ao longo de vários meses, realizando dezenas de transferências que somaram quase R$ 200 mil. Tudo começou após ela contatar uma suposta mãe de santo chamada “Mãe Natasha”, que garantia “trazer o amor de volta” por meio de rituais pagos.
> “Ela dizia que as entidades se ofenderiam se eu parasse. Quando tentei desistir, começaram as ameaças”, contou a vítima.
O golpe evoluiu rapidamente. Os valores dos rituais aumentavam conforme as supostas “entidades” exigiam novos procedimentos espirituais, como o de “casamento de almas” e “afastamento de rivais”. Um dos pedidos mais absurdos envolvia a compra de um bode preto de R$ 1,5 mil para completar o ritual. Quando o pai de santo assumiu o contato, passou a ameaçar a mulher caso ela se recusasse a pagar.
Conforme a polícia, o grupo mantinha uma rede de contas bancárias e operadores financeiros para dispersar o dinheiro recebido, dificultando o rastreamento. Os perfis usados para divulgar os serviços tinham milhares de seguidores e exibiam depoimentos de “clientes satisfeitos”, muitos deles influenciadores pagos para dar legitimidade à farsa.
Em nota, a defesa de Pai Hugo afirmou que ele “nega envolvimento em qualquer esquema de fraude” e que “colabora com as investigações”. Além dele, sete pessoas foram presas durante a operação.
Por: Redação
Foto: Polícia Civil/Divulgação