Dos dias de ouro com Falcão e Careca aos bastidores sombrios e ciclos de poder que corroem o clube
O São Paulo Futebol Clube, dono de uma história centenária marcada por conquistas e identidade, já não é o mesmo. Em meio aos 95 anos de glórias, os erros se acumulam dentro e fora de campo. O que antes era símbolo de gestão exemplar e talento coletivo, hoje se desfaz em meio a vaidades, dívidas e arbitragens polêmicas como a recente no Choque-Rei.
São Paulo de Raí, do uruguaio Pedro Rocha e do mestre Telê Santana. O Tricolor já foi tão grande quanto o Flamengo e o Palmeiras de hoje. O clube era tão respeitado em jogos da Libertadores. Esse mesmo tricampeão mundial, que nunca disputou uma segunda divisão, hoje virou um clube com muitas dívidas e uma gestão ultrapassada. Talvez a situação não piore por causa da sua torcida, que vem carregando o clube nas costas há um bom tempo. Estão acabando com a história do São Paulo Futebol Clube, que hoje é gigante apenas pela sua história sua glória vem do passado com disse o hino do próprio clube.
Nos anos 1980, o Tricolor era exemplo de força e planejamento. Em 1985, um acordo histórico trouxe Paulo Roberto Falcão de volta ao Brasil, após seu reinado na Roma. Foram 7 bilhões de cruzeiros — uma fortuna à época — investidos por um grupo de empresas, sem que o clube precisasse arcar com um centavo. A jogada de marketing transformou o São Paulo em um espetáculo. Miller, Silas, Careca, Pita e Sidney formavam um elenco de sonho que conquistou o Campeonato Paulista daquele ano.
Quarenta anos depois, o contraste é gritante. O mesmo clube que inspirava confiança e parcerias sólidas hoje é evitado até por quem veste sua camisa. A chegada de Daniel Alves, em 2019, simbolizou o novo modelo de negócios: caro, individualista e desastroso. Poucos quiseram “jogo” com o Tricolor.
O declínio começou nos bastidores, com o polêmico terceiro mandato de Juvenal Juvêncio, em 2011 uma manobra política e jurídica articulada por Carlos Miguel Aidar. A dupla que outrora pavimentara vitórias entre 1985 e 2008 foi a mesma que abriu o caminho da decadência. Aidar, que em 2014 ironizava o Palmeiras, renunciou no ano seguinte, pouco antes do rival iniciar sua era de títulos com Copas do Brasil, Brasileiros e Libertadores.
Hoje, o São Paulo, que já foi um dos clubes mais respeitados da América, tenta sobreviver sustentado pela paixão de sua torcida. Gigante pela história, mas enfraquecido pela má gestão, o Tricolor ainda carrega o peso das arbitragens ruins. A verdade, porém, é mais dura: o São Paulo não tem sido mais o mesmo.
Foto: Arquibancada Tricolor
Por: Bruno José
Foto: Arquivo Histórico / saopaulofc
