Decisão obriga empresa a retirar vídeo falso do ar e pagar custas judiciais; gravação feita com IA imitava a voz e a imagem do cantor sertanejo
A Justiça de São Paulo condenou a Meta, empresa responsável pelo Instagram no Brasil, a remover imediatamente um vídeo criado com Inteligência Artificial que usava a imagem e a voz do cantor Zezé Di Camargo. A gravação simulava o artista fazendo declarações políticas em defesa do impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a decisão da 42ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo, assinada pelo juiz Renato de Abreu Perine, o vídeo foi produzido com tecnologia deepfake e alcançou grande repercussão nas redes sociais. Em apenas dois dias, o conteúdo recebeu mais de 117 mil curtidas e milhares de comentários, sendo replicado por diversos perfis no Instagram.
Na ação, Zezé Di Camargo afirmou que o vídeo causou danos à sua imagem e confundiu o público em um momento de forte polarização política no país. O cantor destacou ainda que jamais fez qualquer manifestação sobre o tema e que o uso indevido de sua voz e aparência configurou violação de direitos de imagem e honra.
O juiz considerou que a disseminação do material falso representa potencial crime de falsidade ideológica e determinou que a Meta arque com as custas processuais e honorários de 15% sobre o valor da causa, fixado em R$ 15 mil.
A empresa não respondeu aos pedidos de esclarecimento até a última atualização da reportagem.
Por: Lucas Reis
Foto: Equipe ZZ /Arquivo Pessoal
