Base bolsonarista perde força nas ruas, enquanto disputa por poder e recursos divide o partido de Valdemar Costa Neto
O ex-presidente Jair Bolsonaro enfrenta um momento de isolamento político e apatia crescente entre seus apoiadores, no mesmo período em que o Supremo Tribunal Federal (STF) se prepara para decidir sobre sua prisão definitiva por envolvimento na tentativa de golpe de Estado. O ministro Alexandre de Moraes deve definir se Bolsonaro continuará em prisão domiciliar, como desde agosto de 2025, ou se será transferido para o presídio da Papuda, em Brasília.
Segundo pessoas próximas ao ex-presidente, o avanço gradual das medidas impostas pela Justiça — apreensão do passaporte, restrição ao uso das redes sociais e prisão domiciliar — acabou enfraquecendo a mobilização popular. A metáfora usada pelo pastor Silas Malafaia, do “sapo na água que esquenta aos poucos”, resume a percepção de que a base bolsonarista foi sendo desmobilizada lentamente, perdendo a capacidade de reação.
A diferença em relação ao episódio da prisão de Lula em 2018 é evidente. Enquanto o petista mobilizou multidões, Bolsonaro reuniu menos de 50 apoiadores em manifestações recentes. O último grande ato, realizado no 7 de Setembro, foi considerado insuficiente até mesmo por seus aliados.
Dentro do Partido Liberal (PL), o clima é de racha interno. O presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, é criticado por não investir na defesa de Bolsonaro, enquanto a ala liderada por Eduardo Bolsonaro tenta afastar o partido do “centrão” e reorientar a estratégia política da direita.
A falta de um nome forte para 2026, somada à inelegibilidade de Bolsonaro, deixa o campo conservador sem uma liderança consolidada. O desgaste da imagem do ex-presidente, as divisões partidárias e o medo entre aliados diante das investigações reforçam a crise de identidade do movimento bolsonarista.
Por: Lucas Reis
Foto: Alan Santos/PR