Deputado chamou exposição sobre religiões de matriz africana de “demoníaca”; FUCEG pede retratação pública e ação do Ministério Público
A Federação de Umbanda e Candomblé do Estado de Goiás (FUCEG) divulgou nota de repúdio contra o deputado estadual Amauri Ribeiro (União Brasil) após declarações feitas em plenário na última quarta-feira (5). O parlamentar criticou uma exposição sobre religiões de matriz africana no saguão da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), afirmando que as obras eram “demoníacas” (Vídeo abaixo).
Na nota, assinada pelo presidente Salmo Vieira da Silva, a FUCEG classificou o discurso como “preconceituoso, intolerante e racista”, ressaltando que a fala ofende as tradições religiosas afro-brasileiras e desrespeita a diversidade cultural do Estado.
A entidade destacou que manifestações como a do deputado “perpetuam estigmas e fomentam a divisão entre diferentes grupos religiosos”. O documento pede retratação pública e defende que o caso seja acompanhado pelo Ministério Público, a fim de combater atitudes que possam incentivar o racismo e a intolerância religiosa.
A FUCEG reforçou que a defesa da pluralidade e do respeito mútuo é um dever coletivo e essencial à democracia.
Mostra na ALEGO reúne fé, arte e ancestralidade em celebração à diversidade religiosa, Foto | Divulgação
Mostra na ALEGO reúne fé, arte e ancestralidade em celebração à diversidade religiosa, Foto | Divulgação
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Nota da Fuceg
FEDERAÇÃO DE UMBANDA E CANDOMBLÉ DO ESTADO DE GOIÁS – FUCEG
NOTA DE REÚDIO AO DEPUTADO ESTADUAL AMAURI RIBEIRO (UNIÃO BRASIL).
O saguão da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), em Goiânia, exibe uma exposição sobre a religião de matriz africana e origens indígenas. A mostra, contudo, causou espanto ao deputado estadual Amauri Ribeiro (União Brasil), nesta quarta-feira (5), que subiu à tribuna para afirmar que as obras eram demoníacas. “Hoje de manhã, ao chegar na Assembleia, eu me deparei, no saguão, com a exposição de ‘Tranca Rua’, ‘Pomba Gira’, ‘Exu’, ‘Preto Velho’, que, pelo menos nas igrejas que eu frequento, são espíritos do demônio. Com cabeça de vaca, com vela, com oferenda…”
Ele continuou: “Me desculpe. Eu respeito todas as religiões, mas religião para mim é aquela que tem ligação com um único Deus, que é Jesus Cristo. Agora, adoração a demônio dentro dessa Casa, eu acho que não é de boa espiritualidade. Para nós, deputados.”
Em seguida, Amauri citou que a Assembleia possui dois pastores (Henrique César e Ricardo Quirino, do Podemos e Republicanos, respectivamente) e pediu que eles fizessem uma oração para tirar “as coisas ruins” trazidas para a Casa. “Temos nossa Casa aberta a todas as religiões, mas acho que tem que haver um limite.”
Na última quarta-feira (5), o deputado estadual Amauri Ribeiro, representando o União Brasil, fez uma declaração em plenário da Assembleia Legislativa de Goiás (ALEGO) que gerou grande repercussão e indignação. Ao afirmar que as obras em questão eram “demoníacas”, o parlamentar não apenas demonstrou um alarmante despreparo e falta de conhecimento cultural, mas também revelou uma grave falta de respeito e decoro, tanto com a casa legislativa quanto com a sociedade goiana.
Essa manifestação, repleta de preconceitos, intolerância e racismo religioso, ofende um extenso coletivo que abrange as matrizes africanas e afroaborígenes no estado de Goiás e em todo o Brasil. As palavras do deputado não podem ser vistas como meras opiniões, mas sim como um ataque direto aos valores de diversidade e respeito às crenças que devem permear qualquer sociedade democrática. A utilização de termos que deslegitimam tradições religiosas contribui para a perpetuação de estigmas e hostilidade, promovendo um ambiente de discórdia e divisão entre diferentes grupos.
É imperativo que essa fala seja amplamente combatida, uma vez que seu conteúdo violento e discriminatório pode incitar uma guerra entre religiões em nosso estado. O deputado não só necesita se retratar publicamente, reconhecendo o erro de suas colocações, como também devemos mobilizar todas as entidades representativas da sociedade civil e o Ministério Público. A união de esforços é crucial para enfrentar tais ataques que, se não contidos, poderão fomentar ainda mais o racismo, o preconceito e a intolerância religiosa no nosso cotidiano. A defesa da pluralidade cultural e religiosa é uma responsabilidade coletiva e inadiável.
SALMO VIEIRA DA SILVA
DIRETOR PRESIDENTE DA FUCEG
Por: Lucas Reis
Foto: Divulgação Alego

