Daniel Vorcaro foi preso após operação identificar esquema de emissão de títulos irregulares envolvendo instituições do Sistema Financeiro Nacional
A Polícia Federal realizou, na manhã desta terça-feira (18), uma operação que levou à prisão do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Ele foi capturado ainda na noite anterior, por volta das 22h, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, antes de embarcar para Dubai, onde afirmava ter compromissos empresariais.
A ação, denominada Operação Compliance Zero, investiga a produção e circulação de títulos de crédito considerados falsos dentro de instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional. Os investigadores apuram possíveis práticas de gestão fraudulenta, administração temerária e organização criminosa, além de outras infrações relacionadas ao caso.
Ao todo, foram expedidos cinco mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 25 ordens de busca e apreensão em diversos estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e o Distrito Federal. Conforme apuração da CNN Brasil, a PF já monitorava os passos de Vorcaro e optou por executar a prisão antecipadamente para evitar uma possível fuga.
Entre os detidos está também Augusto Lima, sócio de Vorcaro. A Polícia Federal cumpriu ainda um mandado de busca e apreensão contra Paulo Henrique Costa, presidente do BRB (Banco de Brasília), que foi afastado de suas funções por decisão judicial.
As investigações começaram em 2024, a partir de pedido do Ministério Público Federal, após suspeitas de criação de carteiras de crédito sem lastro por uma instituição financeira. Esses papéis teriam sido comercializados para outro banco e, depois da fiscalização do Banco Central, substituídos por ativos sem avaliação técnica adequada.
Na mesma manhã, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master, medida que praticamente encerra as possibilidades de venda da instituição, apesar do recente interesse declarado pelo Grupo Fictor. A ordem de liquidação, assinada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, também atinge a corretora de câmbio ligada ao banco.
O Banco Master voltara à atenção do mercado em setembro, quando o Banco Central negou a tentativa do BRB de adquirir a instituição. Especialistas já alertavam para fragilidades no modelo de negócios, marcado pela emissão de títulos garantidos pelo FGC e remunerações muito superiores às praticadas no mercado.
Por: Genivaldo Coimbra
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