Washington aponta ligação entre o líder venezuelano e o Cartel de los Soles; Caracas reage e acusa os EUA de fabricarem acusações
Os Estados Unidos anunciaram, nesta segunda-feira (24), a inclusão do Cartel de los Soles na lista de organizações terroristas, medida que reacende a tensão com o governo da Venezuela. De acordo com o secretário de Guerra norte-americano, Pete Hegseth, a designação oferece aos EUA “novas alternativas de atuação” na região e reforça o enquadramento de Nicolás Maduro como líder do grupo.
Segundo o governo norte-americano, o cartel estaria envolvido no tráfico internacional de drogas, operando rotas entre a América do Sul e os EUA, com apoio da gangue Tren de Aragua. O presidente Donald Trump afirmou que a decisão permite ações diretas contra alvos ligados a Caracas, embora tenha declarado que não pretende ordenar um ataque imediato. Mesmo assim, reiterou que “todas as opções seguem disponíveis”.
Nos últimos meses, Washington aumentou sua presença militar no Caribe, deslocando navios de guerra, caças F-35 e o porta-aviões USS Gerald Ford, em preparação para cenários considerados estratégicos.
Caracas rejeita e chama acusação de “fabricação ridícula”
O governo venezuelano reagiu rapidamente. Maduro criticou a decisão e classificou a medida como “ridícula”. O chanceler Yvan Gil afirmou que a iniciativa se trata de uma “tentativa clássica de mudança de regime”, repudiando de forma “categórica e absoluta” a acusação de que o Cartel de los Soles exista sob coordenação estatal.
A declaração foi publicada no Telegram e marca mais um capítulo da disputa retórica entre os dois países.
Crise repercute na aviação e leva empresas a suspender voos
Além da tensão diplomática, a medida gerou efeitos imediatos no setor aéreo. Após alerta da Administração Federal de Aviação (FAA) sobre riscos no espaço aéreo venezuelano, companhias como Avianca, Gol, TAP, Iberia e Latam suspenderam temporariamente seus voos para Caracas entre os dias 22 e 24.
A FAA apontou uma “situação potencialmente perigosa” devido ao aumento da movimentação militar, afirmando que as ameaças representam risco para aeronaves “em todas as altitudes”, incluindo pousos, decolagens e sobrevoos. O aviso seguirá vigente até nova avaliação de segurança,
Por: Redação
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