Regime fechado isola ex-presidente e dificulta consultas internas, elevando tensão sobre quem irá liderar o bloco conservador
A prisão em regime fechado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) provocou um abalo imediato nos planos da direita para 2026. Antes visto como coordenador silencioso das articulações eleitorais, Bolsonaro agora enfrenta limitações severas de comunicação, após episódio em que tentou romper a própria tornozeleira eletrônica — o que antecipou sua ida ao sistema prisional.
Aliados apostavam que Bolsonaro poderia cumprir poucos dias em cela e, em seguida, retornar ao regime domiciliar sob justificativa de problemas de saúde. Essa condição permitiria que, mesmo inelegível, ele continuasse orientando a oposição na montagem das chapas estaduais e na escolha do candidato conservador ao Palácio do Planalto.
Com a nova decisão, porém, o cenário mudou drasticamente.
Comunicação limitada eleva risco de desorganização interna
A defesa teme que Bolsonaro fique até sete anos no regime fechado caso não consiga reverter a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF. A limitação de visitas e a comunicação restrita criam um vácuo de liderança e aumentam a possibilidade de disputas internas. Nem mesmo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como porta-voz, deve ter acesso suficiente para transmitir recados de forma contínua.
Nos bastidores, líderes do PL afirmam que a direita pode entrar em um processo de “autofagia”, com candidaturas lançadas sem coordenação unificada, especialmente em estados como Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Corrida pela sucessão acelera
Hoje, cinco nomes disputam espaço como potencial candidato da direita: Eduardo Leite (PSD-RS), Ratinho Junior (PSD-PR), Ronaldo Caiado (União-GO), Romeu Zema (Novo-MG) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP). A escolha final dependeria do crivo de Bolsonaro, agora isolado.
A prisão também impulsiona o nome de Flávio Bolsonaro, citado por aliados como possível presidenciável — ou, no mínimo, vice capaz de unir o eleitorado bolsonarista.
Mas o Centrão resiste à ideia de carregar o peso do sobrenome Bolsonaro na chapa.
Enquanto isso, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) intensifica atritos públicos com Tarcísio, acusando o governador paulista de se aproveitar da situação do pai para se promover nacionalmente. Líderes da direita temem que a crise interna ganhe força sem a figura central capaz de arbitrar conflitos.
Por: Bruno José
Foto: Agência Brasil