Justiça reconhece que líder religioso manipulava emocionalmente vítimas e usava a própria esposa para silenciar denúncias
O pastor Vanderlei Antônio de Oliveira foi condenado a 130 anos de prisão após a Justiça de Anápolis concluir que ele utilizava falsas incorporações de anjos para abusar sexualmente de fiéis. A sentença, assinada pela juíza Marcela Caetano da Costa, da 5ª Vara Criminal, reuniu depoimentos, vídeos e relatos colhidos ao longo de uma investigação extensa.
A esposa do religioso, Maria de Lourdes dos Santos Oliveira, também recebeu pena severa: 95 anos de prisão. As investigações mostraram que ela não apenas sabia dos abusos, como atuava para evitar que vítimas denunciassem o marido, reforçando a confiança dos fiéis e legitimando as falsas práticas espirituais.
De acordo com o Ministério Público de Goiás, o pastor se apresentava como “pai espiritual” e afirmava receber mensagens divinas. Muitas vítimas eram pessoas emocionalmente fragilizadas ou com problemas de saúde, selecionadas justamente por estarem mais vulneráveis à manipulação.
A delegada Isabella Joy, responsável pela investigação, relembrou que parte dos abusos ocorreu inclusive na presença da esposa, que permanecia em silêncio para não quebrar o clima de confiança criado pelo pastor. O caso ganhou repercussão por revelar um esquema de manipulação psicológica, espiritual e emocional praticado dentro de um ambiente onde as vítimas buscavam acolhimento.
A condenação encerra um dos processos mais graves envolvendo líderes religiosos na cidade, trazendo alívio às vítimas e reforçando a importância da denúncia em casos de violência espiritual e sexual.
Por: Lucas Reis
Foto: Divulgação/DEAM