Pontífice defende desarmamento, diálogo e alerta para impactos da inteligência artificial nos conflitos globais
Diante de guerras, crises humanitárias e tensões que atravessam fronteiras, o Papa Leão XIV escolheu o Natal para renovar um apelo urgente ao mundo: a construção de uma paz verdadeira, baseada no diálogo, na justiça e no desarmamento. A mensagem preparada para o Dia Mundial da Paz, celebrado em 1º de janeiro, foi divulgada antecipadamente e marca mais um posicionamento firme do pontífice diante dos desafios do cenário internacional.
Celebrando pela primeira vez os ritos natalinos como líder da Igreja Católica, Leão XIV destacou que a paz não pode ser sustentada pela força das armas, mas sim pelo exemplo de Cristo, que enfrentou a violência de forma “desarmada”.
O papa chamou atenção para o crescimento dos investimentos militares e para discursos que espalham o medo e justificam o armamento como única forma de segurança. Segundo ele, esse caminho aprofunda desigualdades e alimenta novos conflitos.
Outro ponto de preocupação foi o uso da inteligência artificial em ações bélicas. Leão XIV alertou para o risco de delegar decisões sobre a vida humana às máquinas.
“Está-se a delinear até mesmo um processo de desresponsabilização dos líderes políticos e militares, devido ao crescente ‘delegar’ às máquinas as decisões relativas à vida e à morte das pessoas”, advertiu.
O pontífice destacou que esse avanço tecnológico, quando usado para fins militares, compromete valores essenciais da humanidade.
“É uma espiral de destruição sem precedentes, que compromete o humanismo jurídico e filosófico do qual qualquer civilização depende e pelo qual é protegida”.
Para além da política internacional, Leão XIV enfatizou que a paz começa nos lares, nas comunidades e nas relações cotidianas.
“Em todo o mundo, é desejável que cada comunidade se torne uma ‘casa de paz’, onde se aprende a neutralizar a hostilidades através do diálogo, se pratica a justiça e se conserva o perdão”.
“Hoje, mais do que nunca, é preciso mostrar que a paz não é uma utopia, através de uma criatividade pastoral atenta e generativa”.
A mensagem encontrou eco entre líderes religiosos brasileiros de diferentes tradições, que apontaram a necessidade de transformar o discurso em práticas concretas de respeito, tolerância e convivência pacífica.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Reprodução/Vatican News