Silvinei Vasques usava passaporte falso e tentava embarcar para a América Central após romper tornozeleira eletrônica

O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, foi preso nesta sexta-feira (26) no Paraguai, após tentar deixar o país utilizando um passaporte falso. A detenção ocorreu no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, quando ele se preparava para embarcar em um voo que faria escala no Panamá, com destino final em El Salvador.

Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 24 anos e seis meses de prisão por envolvimento na chamada trama golpista, Silvinei estava proibido de sair do Brasil e cumpria medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. Segundo as autoridades, o equipamento foi danificado, o que acionou alertas e levou à mobilização das forças de segurança brasileiras.

Ao chegar ao território paraguaio, a polícia local já havia sido informada pela adidância da Polícia Federal e realizou a prisão ainda na madrugada. Informações preliminares apontam que Silvinei tentou adulterar o documento de viagem para enganar o controle migratório.

Entrega ao Brasil deve ocorrer na fronteira

Fontes ligadas à diplomacia brasileira informaram que há tratativas com o governo paraguaio para uma expulsão sumária, procedimento que deve resultar na entrega de Silvinei às autoridades brasileiras na região da Tríplice Fronteira.

O ex-chefe da PRF residia em Santa Catarina e estava sob monitoramento judicial desde agosto do ano passado. Mesmo ciente das restrições impostas pela Justiça, ele tentou deixar o país de forma clandestina.

Condenação por participação em núcleo golpista

Silvinei Vasques foi condenado pela Primeira Turma do STF no julgamento do chamado núcleo 2 da trama golpista. Segundo a Corte, o grupo foi responsável pela elaboração da chamada “minuta do golpe”, pelo monitoramento de autoridades e por ações que incluíam planos de assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes.

A decisão também apontou o uso da estrutura da PRF para dificultar o deslocamento de eleitores da Região Nordeste durante o segundo turno das eleições de 2022. Outros militares e ex-integrantes do governo federal também foram condenados no mesmo processo.

O caso reforça o cerco judicial contra envolvidos nos atos antidemocráticos e marca mais um desdobramento relevante das investigações conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal.


Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil