Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
País ainda mantém cerca de 30 mil telefones públicos, mas avanço da telefonia móvel acelera desligamento definitivo
Os tradicionais orelhões, que marcaram gerações e fizeram parte do cotidiano das cidades brasileiras por décadas, estão com os dias contados. O Brasil deve extinguir os telefones de uso público até o fim de 2028, encerrando oficialmente um dos símbolos mais conhecidos da comunicação urbana no país.
Atualmente, ainda existem cerca de 30 mil orelhões em funcionamento, número muito distante do auge registrado nos anos 1990, quando o país chegou a ter mais de 1,5 milhão de aparelhos instalados. Os primeiros equipamentos começaram a ser implantados em 1972 e tiveram o design assinado pela arquiteta Chu Ming Silveira, tornando-se referência mundial.
O processo de desligamento ganhou força após o encerramento dos contratos de concessão da telefonia fixa, que expiraram em dezembro de 2025. Com o fim desse modelo, o setor passou por uma transição para o regime de autorizações, abrindo espaço para a revisão das obrigações das operadoras e para novos investimentos em infraestrutura digital.
De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a mudança permite priorizar a expansão da banda larga e da telefonia móvel, tecnologias que hoje atendem a maior parte da população. Ainda assim, cerca de 9 mil telefones públicos deverão ser mantidos temporariamente, especialmente em regiões onde não há cobertura mínima de rede móvel 4G.
A transição enfrentou desafios, como a crise financeira da Oi, operadora que concentra atualmente a maior quantidade de orelhões ativos no país. A empresa, que está em recuperação judicial desde 2016, mantém pouco mais de 6,7 mil aparelhos. Já Vivo, Claro e Algar devem desligar praticamente toda a sua rede ainda este ano.
Além do fim gradual dos orelhões, as operadoras assumiram compromissos com o poder público para ampliar investimentos em fibra óptica, antenas de telefonia celular, cobertura móvel em municípios, conectividade em escolas públicas e construção de data centers, reforçando a modernização do sistema de telecomunicações.
Por: Lucas Reis