Promotor de Justiça do Gaeco, Lincoln Gakiya — Foto: Arquivo/g1
Investigações apontam que organização criminosa diversificou fontes de renda e ampliou atuação além do tráfico de drogas
O faturamento anual do Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores organizações criminosas do país, já alcança cerca de R$ 10 bilhões, segundo estimativas obtidas a partir de investigações das forças de segurança e do Ministério Público. O valor revela a dimensão financeira do grupo e evidencia como o crime organizado se estruturou como uma rede complexa de negócios ilícitos no Brasil.
Inicialmente conhecido pela atuação dentro do sistema prisional e pelo tráfico de drogas, o PCC passou a diversificar suas fontes de renda nos últimos anos. Além da venda de entorpecentes, a facção atua em crimes como extorsão, roubos, sequestros, lavagem de dinheiro, golpes digitais e controle de atividades ilegais em comunidades, ampliando significativamente sua capacidade de arrecadação.
Um dos principais pilares financeiros da organização é o chamado “caixa da facção”, abastecido por contribuições obrigatórias de integrantes em liberdade e presos. Esses recursos são utilizados para custear advogados, apoiar familiares de detentos, financiar operações criminosas e manter a hierarquia interna do grupo. Segundo investigadores, essa estrutura garante fidelidade dos membros e dificulta o enfraquecimento da facção.
As autoridades também identificam o uso de empresas de fachada, contas de laranjas e movimentações financeiras fracionadas para ocultar a origem do dinheiro. A lavagem de capitais ocorre por meio de comércios aparentemente legais, especialmente nos setores de transporte, construção civil e serviços, o que torna o rastreamento mais complexo e exige ações integradas entre polícias, Receita Federal e órgãos de controle financeiro.
Especialistas em segurança pública alertam que o poder econômico do PCC representa um desafio crescente para o Estado. O alto faturamento fortalece a capacidade de corrupção, expansão territorial e recrutamento de novos integrantes, exigindo investimentos contínuos em inteligência policial, cooperação interestadual e internacional, além do fortalecimento do sistema prisional e do combate ao crime financeiro.
Alvo de um novo plano de assassinato pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), o promotor de Justiça Lincoln Gakya, que investiga a facção criminosa há 20 anos, vive há mais de dez anos sob escolta policial 24 horas por dia por causa das ameaças de morte recorrentes que recebe. Ele é ameaçado pela facção ao menos desde 2005. Além dele, a polícia também identificou Roberto Medina, coordenador de presídios no Oeste Paulista, na mira da facção.
O promotor faz parte do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo (Gaeco) de Presidente Prudente, no interior paulista. Gakya assumiu a Promotoria de Justiça da Comarca da cidade em 1996, para onde foi mandada a cúpula do PCC dez anos depois.
Por: Lucas Reis