Líder supremo desde 1989, Khamenei controlava Forças Armadas, Judiciário e decisões estratégicas do regime iraniano
A mídia estatal do Irã confirmou na madrugada deste domingo (1º, horário local) a morte do líder supremo Ali Khamenei, aos 86 anos. Segundo a agência oficial Fars News Agency, ele foi morto durante ataques promovidos pelos Estados Unidos em conjunto com Israel.
A publicação afirmou que o “Líder Supremo da Revolução foi martirizado”, utilizando expressão religiosa comum no discurso oficial iraniano. De acordo com os veículos locais, o ataque ocorreu nas primeiras horas de sábado (28).
Também foram confirmadas as mortes da filha, do genro e da neta de Khamenei, segundo informações divulgadas pela própria imprensa iraniana.
Quase quatro décadas no comando
Khamenei ocupava o posto máximo do regime desde 1989, após a morte do fundador da República Islâmica, Ruhollah Khomeini. Embora o país mantenha eleições presidenciais e parlamentares, era o líder supremo quem exercia a palavra final sobre decisões estratégicas, incluindo política externa, programa nuclear e comando das Forças Armadas.
Ao longo dos anos, consolidou poder por meio da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e da milícia paramilitar Basij, forças utilizadas para conter protestos e movimentos de oposição.
Mesmo visto inicialmente como sucessor improvável de Khomeini, Khamenei ampliou sua influência política e religiosa, construindo um sistema de segurança e sustentação econômica próprio, incluindo o império financeiro conhecido como Setad.
Relação tensa com os EUA
Crítico constante do Ocidente, Khamenei manteve postura dura contra Washington, especialmente durante o governo de Donald Trump.
Em 2015, apoiou com cautela o acordo nuclear firmado entre Teerã e potências mundiais, mas o tratado foi abandonado pelos EUA em 2018, durante o primeiro mandato de Trump, reacendendo tensões e sanções econômicas severas.
Escalada militar no Oriente Médio
A morte do líder supremo ocorre em meio à maior ofensiva militar contra o Irã em décadas. Trump anunciou que os EUA iniciaram “grandes operações de combate”, prometendo neutralizar o programa nuclear iraniano.
Israel também confirmou ataques coordenados.
Em resposta, Teerã lançou ofensivas contra alvos em países que abrigam bases militares americanas, incluindo Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque, ampliando o risco de um conflito regional de grandes proporções.
Por: Redação via CNN