Debate ocorre no Departamento de Estado e gera reação do governo brasileiro por risco à soberania
O governo dos Estados Unidos avalia a possibilidade de incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas. A informação foi publicada pelo jornal The New York Times nesta sexta-feira (27/3) e, segundo a reportagem, o tema ganhou força após interlocuções de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro com autoridades norte-americanas.
De acordo com o NYT, discussões internas no Departamento de Estado consideram a medida dentro de uma estratégia mais ampla de combate ao crime organizado transnacional na América Latina. As conversas teriam ocorrido após contatos de parlamentares brasileiros com a diplomacia dos EUA.
Na véspera, o senador Flávio Bolsonaro embarcou para os EUA, onde participa da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), em Dallas. A movimentação política coincidiu com o avanço do debate em Washington.
Até o momento, o governo norte-americano não fez anúncio oficial sobre a possível classificação. Ainda assim, a chancelaria dos EUA já teria sinalizado ao Itamaraty, no início do mês, que a hipótese está em análise.
O governo brasileiro reagiu com cautela e preocupação. Autoridades avaliam que a classificação de facções criminosas como terroristas pode abrir precedentes jurídicos delicados e até ameaçar a soberania nacional, já que a legislação dos EUA permite ações extraterritoriais sob o argumento de combate ao terrorismo.
O tema foi tratado nesta sexta-feira em reunião entre o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, durante encontro paralelo à cúpula do G7, na França.
O Brasil indicou disposição para cooperar no enfrentamento ao crime transnacional, mas sem concordar, até agora, com a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas.
Por: Redação