Os tremores não são o único sintoma e a atividade física é o melhor remédio para frear a progressão neurológica
Estima-se que cerca de 10 milhões de pessoas no mundo sofram com a doença de Parkinson. E até 2050, esse número pode mais que dobrar, chegando a 25,2 milhões, um aumento de 112%, segundo dados da revista científica The BMJ. A escalada rápida da segunda doença neurodegenerativa mais comum do mundo acende um alerta e traz à tona dúvidas sobre prevenção e diagnóstico precoce.
Como o Parkinson tem a idade como seu maior fator de risco, também é caminho natural que os números acompanhem o envelhecimento da população. A doença atinge majoritariamente pessoas acima dos 65 anos, embora o “Parkinson de início precoce” possa afetar pacientes na faixa dos 50, 40 anos ou até em pessoas ainda mais jovens.
É o que explica o neurologista clínico e especialista em parkinson e demências, doutor José Guilherme Schwam Jr, que atende no Complexo Clínico Órion Business, que tem pacientes no consultório que começaram a sua doença com 30, 40, 50 anos. Além da idade, a doença de Parkinson parece ser mais prevalente em trabalhadores rurais, principalmente naqueles expostos a agrotóxicos.
Segundo o médico, a difusão de informações sobre a doença e a evolução da ciência também tem contribuído para o aumento do diagnóstico. “Quanto mais falarmos sobre a doença, quanto mais nos conscientizamos, mais informações levamos à população, mais as pessoas irão procurar o profissional adequado para investigação de doenças como o Parkinson. Em contrapartida, os colegas médicos, principalmente os neurologistas, também têm se capacitado cada vez mais no diagnóstico precoce, melhorando as perspectivas de qualidade de vida aos pacientes”, afirma o médico.
Muito além dos tremores
Quando se fala em Parkinson, a primeira imagem que vem à mente da maioria das pessoas são os tremores nas mãos. Contudo, a doença costuma dar sinais silenciosos muito antes de afetar a coordenação motora. O especialista alerta que é necessário ficar atento aos sinais não motores, que podem aparecer anos e às vezes décadas antes dos tremores.
“Os sinais motores clássicos envolvem os tremores em repouso, que está presente em 70% dos pacientes, a lentidão para realizar movimentos do dia a dia e a rigidez muscular. Diminuição do olfato, intestino muito preso, depressão e distúrbios do sono como se debater violentamente durante os sonhos são sinais de alerta importantes”, destaca o médico José Guilherme.
O poder do movimento contra o avanço da doença
Ainda não existe a cura definitiva para o Parkinson ou uma blindagem 100% eficaz contra o seu aparecimento. A grande virada de chave para quem recebe o diagnóstico está longe de ser apenas medicamentosa. A ciência já comprovou que é possível identificar o avanço do Parkinson usando o próprio corpo.
“Hoje sabemos que a principal forma de retardar a progressão motora da doença é o exercício físico. Uma atividade física regular e com intensidade adequada tem um efeito neuroprotetor importante. Ela ajuda, de forma comprovada a diminuir o risco de quedas, limitações motoras, dores difusas, inerentes à evolução do Parkinson e, junto com a medicação correta, é o que vai garantir a qualidade de vida, a independência e a autonomia do paciente por muitos anos”, conclui o neurologista. Uma dieta balanceada e cuidado com a saúde cardiovascular e metabólica também fazem a diferença, acrescenta o médico.
O diagnóstico precoce continua sendo a melhor ferramenta. Ao perceber qualquer lentidão incomum ou tremores recorrentes, a recomendação é buscar a avaliação de um neurologista para garantir que o tratamento e a qualidade de vida comece o quanto antes!
Por: Redação|FC