Carta escrita na prisão revela tentativa de Elizabete Arrabaça de transferir a responsabilidade por duas mortes ocorridas com um mês de diferença
A polícia de São Paulo investiga um caso perturbador de duplo envenenamento que envolve a sogra e o marido de Larissa Rodrigues, professora de pilates morta em março deste ano. Elizabete Arrabaça, mãe do médico Luiz Antônio Garnica, ambos denunciados por homicídio triplamente qualificado, escreveu uma carta da prisão tentando atribuir a autoria do crime à própria filha, Nathália Garnica, que também morreu envenenada em fevereiro.
Segundo a carta, Nathália — que chefiava o setor de vigilância sanitária — teria colocado veneno em cápsulas de omeprazol e pedaços de queijo durante visita à casa da mãe. Elizabete afirma que chegou a pedir à filha para jogar o veneno fora. Contudo, os laudos toxicológicos apontaram a presença de chumbinho no corpo de Nathália, que faleceu um mês antes de Larissa.
Larissa morreu em 21 de março, após cerca de duas semanas sendo lentamente envenenada. De acordo com o Ministério Público, ela começou a passar mal após ingerir alimentos e remédios supostamente contaminados, preparados por Elizabete. A motivação seria o desejo de Larissa de se separar do marido após descobrir uma traição.
A promotoria afirma que Luiz Antônio planejou o assassinato da esposa e que a execução foi feita pela mãe. Ambos teriam agido com frieza, segundo o promotor, e o médico ainda teria tentado apagar rastros do crime limpando o local e manipulando provas.
Agora, a morte de Nathália, antes tratada como natural, também está sob nova investigação. A polícia apura se Elizabete usou a filha como bode expiatório para tentar amenizar sua pena ou se há de fato mais camadas ocultas nessa tragédia familiar.
À esquerda aparece Larissa, que era casada com o Luiz Antonio Garnica; o médico abraçado com a mãe Elizabete Arrabaça e a filha da aposentada, Nathalia Garnica
Por: Bruno José
Foto: Reprodução