Após sobretaxa dos EUA, Brasil prepara decreto com punições comerciais e reúne equipe de crise no Alvorada
Depois de o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar uma taxa de 50% sobre produtos brasileiros, o governo Lula convocou uma reunião emergencial neste domingo (13) no Palácio da Alvorada para organizar a resposta.
O encontro contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, ministros e diplomatas. O decreto com as medidas de retaliação será divulgado até terça-feira (16) e vai listar os setores que poderão ser protegidos por meio da Lei da Reciprocidade.
A decisão de Trump de aplicar tarifas a produtos do Brasil a partir de 1º de agosto gerou indignação no Planalto. Embora Lula e sua equipe defendam uma tentativa inicial de acordo diplomático, o país já prepara contragolpes com foco em tarifas espelhadas e barreiras regulatórias.
O vice-presidente Alckmin declarou que o decreto vai focar em áreas nas quais os EUA dependem economicamente do Brasil, como o agro e partes da indústria.
Um comitê de crise já está atuando com representantes desses setores para entender o impacto da medida e definir produtos estratégicos para a retaliação.
A tensão comercial também fez o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, se pronunciar:
“Em 9 de julho último, foram anunciadas sanções que seriam aplicadas ao Brasil, por um tradicional parceiro comercial, fundadas em compreensão imprecisa dos fatos ocorridos no país nos últimos anos.”
E ainda:
“As diferentes visões de mundo nas sociedades abertas e democráticas fazem parte da vida, e é bom que seja assim. Mas não dão a ninguém o direito de torcer a verdade ou negar fatos concretos que todos viram e viveram.”
Já o presidente Lula foi direto ao afirmar:
“Não será tutelado por nenhuma potência estrangeira.”
Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Ricardo Stuckert/PR