Deputada foi presa em Roma e deve enfrentar processo que pode durar até dois anos, segundo especialistas
A prisão da deputada Carla Zambelli (PL-SP) em Roma reacendeu o debate sobre extradição de brasileiros com dupla cidadania. Mesmo com passaporte italiano, juristas afirmam que ela poderá sim ser extraditada ao Brasil para cumprir a pena de dez anos imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pela invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2023.
Segundo a Polícia Federal, o processo de extradição segue acordos entre os dois países e deve passar primeiro pelo Ministério da Justiça italiano e, depois, pelo Judiciário local. O tempo de decisão pode variar, mas especialistas estimam um período entre seis meses e dois anos. Durante esse tempo, a defesa de Zambelli poderá apresentar argumentos como perseguição política e questões de saúde.
A cidadania italiana não impede automaticamente a extradição. De acordo com a professora Maristela Basso, da USP, é comum que casos assim avancem quando há cooperação entre os países. Ela relembra o caso do ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, extraditado em 2015, também da Itália, após condenação no Brasil.
Zambelli estava foragida desde junho, após deixar o país para evitar a prisão. Para especialistas, essa fuga pode pesar contra ela no processo de extradição, por demonstrar intenção de burlar a Justiça. Advogados apontam que esse comportamento pode reduzir as chances de prisão domiciliar ou benefícios futuros.
Agora, cabe à Justiça italiana decidir se Zambelli voltará ao Brasil. Enquanto isso, ela seguirá presa preventivamente em Roma, à disposição das autoridades. O caso segue gerando repercussão tanto na política brasileira quanto nos meios jurídicos internacionais.
Por Genivaldo Coimbra
Foto Lula Marques/ Agência Brasil