Investigação aponta uso de dinheiro público também em farmácia da cunhada e cartões de crédito pessoais
Uma servidora efetiva da Prefeitura de Goiânia foi presa suspeita de desviar cerca de R$ 425 mil dos cofres municipais para gastos pessoais e, segundo a polícia, até com práticas de bruxaria. A investigação revelou que parte do dinheiro foi repassada para uma mulher em Alagoas, identificada como praticante de rituais espirituais, contratada pela servidora com recursos públicos.
A operação, batizada de Ritual do Desvio, cumpriu mandados de prisão e busca em cidades de Goiás e em Rio Largo (AL). De acordo com a Polícia Civil, a suspeita atuava na área de Execução Financeira da prefeitura e tinha acesso direto ao sistema de pagamentos. Ela teria realizado 14 transferências fraudulentas apenas em 2025.
Além dos serviços de bruxaria, a servidora usou o dinheiro para pagar dívidas do próprio cartão de crédito, enviar valores a uma farmácia em nome de sua cunhada e até repassar recursos para uma associação esportiva. A Controladoria do município foi quem primeiro identificou os repasses suspeitos e acionou as autoridades.
As investigações apontam que os valores eram inseridos no sistema como se fossem pagamentos legítimos. As transações seguiam com dados forjados, permitindo que os desvios passassem despercebidos por meses. A Polícia Civil também identificou a tentativa da servidora de ocultar os beneficiários reais com o uso de terceiros.
A mulher presa em Alagoas foi apontada como beneficiária dos valores destinados à suposta bruxaria. Com ela, a polícia apreendeu comprovantes de transferências e materiais que indicam a realização dos rituais. A investigação ainda está em curso para apurar a participação de outros envolvidos e possíveis novos repasses.
Em nota, a Prefeitura de Goiânia informou que colabora com as investigações desde o início, por meio da Controladoria Geral, e que a servidora foi afastada das funções imediatamente após a identificação das irregularidades. O município também afirmou que reforçará os mecanismos de controle interno para evitar novos casos.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Divulgação/Polícia Civil