Fenômeno, apelidado de “psicose do ChatGPT”, pode afetar até pessoas sem histórico de transtornos mentais
O uso intenso de chatbots, como o ChatGPT, está sendo associado a um fenômeno descrito por especialistas como “psicose da IA”. O termo, citado por profissionais de saúde mental, refere-se a casos em que interações prolongadas com sistemas de inteligência artificial levam a delírios, paranoia e distorções de percepção, mesmo em pessoas sem histórico de problemas psicológicos. As informações foram divulgadas pelo jornal norte-americano The Post.
Segundo uma pesquisa recente, 75% dos americanos usaram alguma ferramenta de IA nos últimos seis meses e um terço mantém uso diário. O ChatGPT, por exemplo, é acessado semanalmente por cerca de 700 milhões de pessoas. Embora esses recursos facilitem tarefas como produção de textos, pesquisa e até interações afetivas, especialistas afirmam que o envolvimento excessivo pode gerar impactos sérios.
A psiquiatra Tess Quesenberry, do Coastal Detox of Southern California, explica que alguns usuários desenvolvem sintomas graves após conversas imersivas com chatbots. “As consequências podem incluir internações psiquiátricas involuntárias, rompimento de relacionamentos e, em casos extremos, automutilação ou violência”, afirmou. Apesar disso, ela esclarece que o quadro não é uma nova doença, mas uma manifestação diferente de vulnerabilidades já existentes.
Para Quesenberry, a IA pode reforçar pensamentos distorcidos sem a correção natural das interações humanas. Ela compara o efeito a uma “ilusão compartilhada” entre o usuário e a máquina. Por isso, defende que o uso dessas ferramentas seja limitado, especialmente em períodos de fragilidade emocional ou no fim da noite.
Especialistas também reforçam que chatbots não têm compreensão real, empatia ou conhecimento genuíno sobre o mundo. A recomendação é manter foco em conexões humanas, buscar apoio profissional quando necessário e adotar uma postura crítica diante da tecnologia. “Precisamos priorizar o bem-estar mental e garantir diretrizes éticas que coloquem a segurança acima do lucro”, concluiu a psiquiatra.
Por: Genivaldo Coimbra
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