Criação de cargos comissionados, novos benefícios e pagamento de gratificações explicam salto nas despesas em ano pré-eleitoral
A Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) registrou um crescimento expressivo nos gastos com a folha de pagamento ao longo de 2025. Em apenas seis meses, a despesa passou de R$ 28,9 milhões em janeiro para R$ 39,9 milhões em junho — um aumento de quase R$ 11 milhões. Os dados, divulgados pelo jornal O Popular, chamam a atenção por ocorrerem em um ano pré-eleitoral, quando é comum a intensificação das movimentações políticas.
Expansão de cargos e recorde de servidores
Em fevereiro, a Alego criou 170 novos cargos comissionados, elevando para 5.450 o total de postos disponíveis. No mês de junho, a Casa atingiu o maior número de servidores da sua história, com 5.372 vínculos ativos. Apesar da redução de contratos de estagiários e de pessoal de apoio, os custos não recuaram, devido principalmente à concessão de benefícios e reajustes em gratificações.
Benefícios que aumentam a folha
Entre os adicionais que mais impactaram o orçamento estão o auxílio-representação de R$ 11,5 mil para deputados e o auxílio-transporte de R$ 3 mil destinado a chefes de gabinete. Além disso, a primeira parcela do 13º salário foi paga em junho, somada a aumentos decorrentes de férias, quinquênios e progressões na carreira de servidores efetivos.
Defesa da Presidência
O presidente da Alego, deputado Bruno Peixoto (União Brasil), argumentou que os servidores comissionados não recebem reajustes inflacionários nem horas extras, o que, segundo ele, contribui para manter o equilíbrio da folha. Ainda assim, o padrão de cortes em dezembro e novas nomeações no início de cada ano continua pressionando o orçamento do Legislativo.
Contexto político e impacto para a sociedade
Analistas destacam que o crescimento da folha em anos que antecedem eleições está frequentemente ligado a ajustes de cargos e alianças políticas. A prática gera debate sobre a aplicação dos recursos públicos em um momento em que setores como saúde, educação e infraestrutura demandam investimentos.
Por; Genivaldo Coimbra
Foto: Divulgação Alego