Empresa ligada à presidente do Palmeiras, Leila Pereira, é acusada de descumprir cláusulas e cometer irregularidades; banco nega práticas ilegais
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) anunciou nesta quinta-feira (21) a suspensão parcial dos contratos firmados com a Crefisa, instituição financeira presidida por Leila Pereira, que também comanda o Palmeiras. A decisão foi tomada após uma série de reclamações envolvendo falhas no pagamento de benefícios, venda casada de produtos e portabilidades indevidas.
De acordo com o órgão, denúncias chegaram por meio de Procons, Ministério Público Federal, OAB e diretamente de beneficiários. Entre as queixas estão atrasos, recusas de saque e até impedimento no recebimento dos valores. A Crefisa, que venceu 25 dos 26 lotes da folha de pagamento do INSS em 2024, seria responsável pela operação entre 2025 e 2029.
A medida afeta diretamente os serviços prestados a mais de 1 milhão de beneficiários em todo o país. Segundo o INSS, a suspensão busca garantir maior transparência e o cumprimento das regras contratuais.
Em resposta, a Crefisa divulgou nota afirmando ter recebido a notícia “com surpresa” e que não foi notificada oficialmente pelo órgão. A empresa sustenta que cumpre integralmente o contrato desde 2020, sem interrupções, e que já investiu mais de R$ 1 bilhão em tecnologia e na ampliação dos postos de atendimento.
O banco também rejeitou as acusações de coação ou venda casada e destacou que menos de 5% dos beneficiários abriram conta corrente na instituição. Além disso, afirmou que a taxa proporcional de reclamações é “extremamente baixa, inferior a 1%”, considerando o volume de clientes atendidos.
Leila Pereira e o marido, José Roberto Lamacchia, são donos da Crefisa e da Faculdade das Américas (FAM). Segundo a Forbes, o patrimônio conjunto do casal está estimado em R$ 8 bilhões, o que coloca Leila entre as maiores bilionárias do Brasil.
O caso reacende o debate sobre a relação de bancos privados com serviços públicos essenciais e deve ser acompanhado de perto por órgãos de fiscalização e pelo mercado financeiro.
Por: Bruno José
Foto: César Greco /Palmeiras