José Guimarães reconhece erro de articulação e oposição assume comando da comissão com Carlos Viana e Alfredo Gaspar
O governo federal enfrentou uma derrota inesperada nesta semana com a formação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Apesar da articulação do Planalto para emplacar o senador Omar Aziz (PSD-AM) na presidência, o escolhido foi o senador Carlos Viana (Podemos-MG), da oposição, que venceu a disputa por 17 votos a 14. A relatoria também ficou sob controle oposicionista, com o deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL).
O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), reconheceu publicamente a falha na condução da estratégia. “Engolimos mosca. Também não é o fim do mundo. Erramos, mas a oposição pode acabar dando um tiro no próprio pé”, declarou o petista.
Nos bastidores, a derrota foi vista como resultado de uma articulação insuficiente. Governistas criticaram especialmente a atuação do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), que teria subestimado a capacidade de mobilização da direita, hoje fortemente alinhada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O próprio Randolfe admitiu responsabilidade e afirmou que houve “subestimação da ofensiva oposicionista”.
A perda de espaço em uma comissão estratégica preocupa o Palácio do Planalto. O comando da CPMI garante poder de pauta e influencia diretamente os rumos da investigação, que envolve denúncias de fraudes contra aposentados e pensionistas — tema de grande sensibilidade social. Para a oposição, o episódio representa não apenas um avanço político, mas também a chance de desgastar o governo em um cenário de crescente disputa no Congresso.
Enquanto isso, aliados de Lula tentam minimizar os impactos e reforçar a necessidade de maior coesão na base, diante da possibilidade de novas votações acirradas nas próximas semanas.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados