Ex-presidente recebeu vice-prefeito de São Paulo em prisão domiciliar e disse que sua vida “já acabou” aos 70 anos
Em prisão domiciliar desde o dia 4 de agosto, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) mais uma vez deu sinais de um colapso emocional ao ser visitado pelo vice-prefeito de São Paulo, Coronel Ricardo Mello Araújo (PL). O encontro, que durou cerca de quatro horas, foi realizado na residência onde o ex-presidente está sob vigilância total por ordem judicial.
Mello Araújo relatou que Bolsonaro lembrou de sua vida no Exército, de como alcançou a Presidência da República e de como seria julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pelo crime de golpe de estado. “Ele me disse: ‘Tenho 70 anos, minha vida está acabada.’ E ele estava emocionado”, disse o vice-prefeito.
“Eu disse que Bolsonaro passou por muita coisa: foi derrotado no primeiro turno, foi esfaqueado em 2018 e sofreu um acidente ao saltar de paraquedas, mas se regenerou”, disse Mello Araújo. “Eu disse a ele, é mais uma batalha a ser vencida, haverá um final feliz, Deus intervém, algum novo fato pode mudar tudo isso”, afirmou.
O coronel também enfatizou que o ex-presidente nem está pensando nas eleições de 2026, apesar das pressões políticas em seu grupo. “Eles querem seu legado eleitoral, mas estão enterrando Bolsonaro vivo. No momento, ele não está pensando nesta eleição”, disse.
Durante a visita, Mello Araújo também recomendou manter os exercícios físicos em casa, mas Bolsonaro descartou a ideia, dizendo “não ser possível por enquanto”.
Doente e sob acusação, Bolsonaro tornou-se alvo de muita especulação sobre como ele se encaixará no futuro da direita no Brasil. Enquanto aliados buscam mantê-lo relevante no debate eleitoral, o ex-presidente se insere na narrativa de vitimização e está cada vez mais encurralado no cenário político.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil