Decisão aumenta tensões entre política e poder digital e adiciona mais um capítulo à disputa entre o deputado e o YouTuber
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) aumentou, nesta terça-feira (2), de R$ 8.000 para R$ 12.000 a indenização que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) deve pagar ao influenciador Felipe Neto por danos morais. A decisão unânime da 2ª Câmara de Direito Privado agrava o conflito entre duas figuras públicas que se tornaram símbolos de dois lados em anúncios na esfera pública brasileira.
Nikolas usou a imagem, voz e nome de Felipe Neto sem autorização em postagens nas redes sociais nas quais equiparou a personalidade do YouTube a práticas de ‘cultura do cancelamento’ e o chamou de ‘pessoa horrível’, disse a relatora do caso, a desembargadora Renata Machado Cotta. Junto com a ofensa, o parlamentar capitalizaria politicamente a exposição pública.
“Ambos os indivíduos são figuras públicas, com alcance substancial e status monetário. O valor maior reflete mais adequadamente a amplitude da exposição e a intenção, pelo menos indireta, do réu de obter uma vantagem para si mesmo”, escreveu a desembargadora.
Confronto com impacto político
O anúncio segue um mandato que viu os dois homens trocarem insultos desde a campanha eleitoral de 2022. Nesse período, Felipe Neto chamou Nikolas de “chupeta de genocida” (aludindo ao seu fandom do ex-presidente Jair Bolsonaro). O deputado, por sua vez, posicionou-se como o antídoto ao influenciador, transformando os ataques em ouro político com sua base.
A rivalidade reacendeu em fevereiro deste ano, quando Nikolas rotulou Felipe de “covarde” em uma postagem no X, à qual o mesmo correspondente respondeu em termos igualmente pungentes: “E foi esse covarde que te fez mamar em 2022. Obrigado, chupeta.”
A decisão do TJRJ, embora financeira, adquire uma conotação política, demonstrando como as disputas pessoais se tornam munição na luta pública — ainda mais quando apresentam duas esferas poderosas, uma do digital e outra do Congresso Nacional.
Por: Sidney Araujo
Mário Agra/Câmara dos Deputados | Redes sociais/Reprodução