O Ministério das Relações Exteriores reitera compromisso com a democracia e a soberania após declarações do governo dos EUA
Na noite de terça-feira (9), o Itamaraty divulgou uma nota manifestando-se contra as recentes declarações do governo dos EUA sugerindo que o Brasil poderia enfrentar sanções econômicas ou uso de força militar.
O ministério afirmou em comunicado oficial que “o governo brasileiro condena o uso de sanções econômicas ou ameaças de força contra a nossa democracia,” reiterando que os três poderes da República têm a responsabilidade de preservar a liberdade e a vontade popular expressas nas urnas e não se deixarão intimidar por qualquer tipo de pressão.
O Ministério também enfatizou que não aceita qualquer utilização de outros países por grupos antidemocráticos para influenciar as instituições nacionais e reiterou a soberania do Brasil.
A declaração do Itamaraty surgiu no mesmo dia em que a Casa Branca, por meio da porta-voz Karoline Leavitt, também afirmou que o governo americano não hesitaria em usar poder econômico ou militar para defender a liberdade de expressão em todo o mundo.
Enquanto isso, a tentativa de golpe contra o ex-presidente Jair Bolsonaro está sendo julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), com votos condenatórios para o ex-presidente e outros sete do núcleo de articuladores do golpe de 2018. O ministro Flávio Dino confirmou que nenhuma pressão externa fará o STF mudar de ideia e questionou se os movimentos intimidatórios de governos estrangeiros são frutuosos.
O Secretário Adjunto para Diplomacia Pública dos EUA, Darren Beattie, declarou que o governo americano pretende aplicar medidas contra o abuso de poder visando preservar liberdades essenciais e destacou a atual interação entre as autoridades americanas e agentes de poder político brasileiro, como Eduardo Bolsonaro, aliados políticos e blogueiros ligados ao Palácio do Planalto com o intuito de articular a imposição de sanções.
A atitude firme do Itamaraty expressa o compromisso do Brasil em assegurar a preservação de sua democracia e autonomia e que, de forma alguma, qualquer tipo de pressão externa será repudiada e não interferirá nas decisões nacionais.
Por’ Genivaldo Coimbra
Foto: Reprodução/Redes Sociais