O governo venezuelano ainda não respondeu à exclusão, mas aliados têm usado a linguagem de uma “guerra híbrida” sendo fomentada pelos EUA
O canal oficial de comunicações de Nicolás Maduro foi suspenso pelo YouTube nesta sexta-feira (19/9). A conta, que tinha cerca de 233.000 seguidores, apresentava a mensagem de uma página não acessível quando os usuários tentavam visualizá-la.
A exclusão foi sem explicação clara, informou a TV estatal Telesur. Enquanto isso, o governo venezuelano está contabilizando cerca de duas dúzias de jornalistas e outros funcionários da mídia sob várias acusações por razões semelhantes. “Esta é definitivamente uma medida arbitrária”, disse a presidente da Voice of America, Amanda Bennett.
O governo de Maduro ainda não disse nada em resposta à retirada da conta. A ausência de explicações cria espaço para especulações sobre a natureza política da decisão.
As relações entre Venezuela e Estados Unidos têm sido voláteis ultimamente. O governo dos EUA enviou embarcações militares ao Caribe sob o pretexto de combate ao narcotráfico, e a resposta de Maduro veio na forma de exercícios militares e convocando as tropas para estarem prontas nas fronteiras.
Não é a primeira confrontação do presidente com plataformas digitais. Em 2021, sua conta no Facebook foi banida por um mês após compartilhar detalhes sobre um suposto remédio para a Covid-19. Mais recentemente, ele também acusou o TikTok de bloquear transmissões ao vivo.
O caso ressalta a questão de onde traçar a linha entre liberdade de expressão, controle da desinformação e pressões políticas em um ambiente digital que está cada vez mais rigidamente controlado, particularmente em regimes intensamente contestados ao redor do mundo.
Por: Lucas Reis
Foto: Reprodução Redes sociais