Em discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente brasileiro defende independência do Judiciário e legitima condenação de Bolsonaro
Em um discurso firme na abertura da Assembleia Geral da ONU em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou “sanções arbitrárias” e alertou contra intervenções unilaterais que ferem a soberania dos países. A fala também incluiu uma indireta ao ex-presidente Donald Trump, embora sem citá-lo nominalmente.
Lula evocou a importância de preservar o multilateralismo e a democracia, dizendo que “não há justificativa para a agressão contra a independência do Judiciário”. Ele afirmou que “atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais estão se tornando regra” e que isso evidencia uma crise global desses valores.
A manifestação ocorreu um dia após o governo dos EUA ampliar sanções ao entorno do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em resposta à condenação judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro — condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Lula defendeu que o processo contra Bolsonaro foi legítimo: investigado, indiciado, julgado e responsabilizado.
Também foi mencionada a medida adotada pelos EUA de revogar vistos de sete autoridades brasileiras ligadas ao Judiciário, além de seus parentes próximos. A justificativa americana foi que essas autoridades teriam atuado em ações que violam a liberdade de expressão, como bloqueio de perfis em redes sociais.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Organização das Nações Unidas