Mauro Rubem vê ato como discriminação e aciona MP e Procon
Um cartaz exibido pela Casa de Carnes Frigorífico Goiás, em Goiânia, reacendeu o debate sobre intolerância política no Brasil. A mensagem “Petista aqui não é bem-vindo”, colocada em uma peça promocional, levou o deputado estadual Mauro Rubem (PT) a protocolar denúncia no Ministério Público de Goiás (MPGO) e no Procon-GO. Para o parlamentar, a atitude fere princípios constitucionais e traduz um cenário preocupante de perseguição baseada em convicção político-partidária.
Em resposta, o representante do estabelecimento, Leandro Batista Nobrega, afirmou nas redes sociais que não está proibindo a entrada de petistas, mas deixando claro que não são “bem-vindos”. O argumento, porém, escancara uma contradição perigosa: ao mesmo tempo em que admite a presença, cria um ambiente hostil e excludente. Essa postura, além de ilegal, reforça o clima de ódio e divisão que ainda corrói as relações sociais no país.
Mauro Rubem foi enfático ao classificar o caso como prática discriminatória. Segundo ele, a liberdade de escolher um partido ou defender uma bandeira política jamais pode ser usada como motivo para constrangimento em espaços comerciais. “Quando uma loja escreve que determinado grupo não é bem-vindo, pratica discriminação e viola a legislação de defesa do consumidor”, destacou o deputado, ressaltando a necessidade de banir esse tipo de comportamento em qualquer esfera da vida social.
A situação não é inédita. O mesmo frigorífico já havia sido alvo de críticas em eleições anteriores, quando utilizou promoções que faziam alusão direta a números de candidatos. Para Mauro Rubem, esse histórico comprova a intencionalidade da empresa em politizar suas estratégias de mercado, algo que deveria ser incompatível com relações de consumo baseadas no respeito e na igualdade de direitos.
O Procon-GO confirmou que, se constatada a infração, a empresa poderá ser punida com multas e outras medidas legais. A legislação é clara: nenhuma prática abusiva ou discriminatória pode ser tolerada. O caso mostra, mais uma vez, como discursos de intolerância atravessam até o ambiente comercial, exigindo firmeza do Estado e vigilância da sociedade. Afinal, democracia se constrói com pluralidade, e não com portas fechadas.

Por: Lucas Reis
Foto: Reprodução