Lei “Morte Digna” permite que pacientes terminais escolham o fim do sofrimento; sociedade se divide entre apoio humanitário e críticas religiosas.
O Uruguai deu um passo histórico nesta quarta-feira (15) ao aprovar a lei da eutanásia, conhecida como “Morte Digna”, que autoriza o procedimento em todo o território nacional. A proposta, debatida por mais de dez anos, foi aprovada pelo Senado após já ter passado pela Câmara dos Deputados em agosto. O texto segue agora para sanção presidencial.
Segundo a lei, o pedido de eutanásia só poderá ser feito por pessoas maiores de idade, residentes no país e mentalmente capazes, que estejam em fase terminal de uma doença incurável ou sofrendo de modo insuportável. O paciente deverá expressar o desejo por escrito e na presença de testemunhas.
Com a decisão, o Uruguai se junta a um grupo restrito de países que permitem o procedimento, como Canadá, Espanha, Nova Zelândia e Colômbia. Pesquisas recentes indicam que 62% dos uruguaios apoiam a medida.
A professora aposentada Beatriz Gelós, de 71 anos, que vive com ELA, afirmou que a nova lei representa “compaixão e dignidade”. Para ela, “chegou a hora” de respeitar o direito à escolha. Já grupos religiosos e conservadores manifestaram preocupação, alegando risco de desamparo a pessoas vulneráveis.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Divulgação