Flávio Bolsonaro afirma que partido vai cobrar votação do projeto e rejeita alternativa que apenas reduza penas de envolvidos no 8 de janeiro
O Partido Liberal (PL) decidiu endurecer sua posição e deve trabalhar para pautar, ainda este ano, o projeto de anistia ampla aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. A informação foi confirmada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nesta segunda-feira (24), após reunião da bancada com o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto.
Segundo o senador, a legenda pretende concentrar esforços em convencer o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a levar o texto ao plenário. Flávio afirmou que a articulação será feita por meio do diálogo, sem obstruções regimentais, mas ressaltou que o partido não aceitará alternativas que limitem o alcance da anistia.
“A partir de agora, nosso foco exclusivo é aprovar a anistia na Câmara e, depois, no Senado. Não abrimos mão de reverter punições que consideramos injustas”, declarou o parlamentar.
A movimentação ocorre após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, no sábado (22), o que fez o PL reorganizar sua estratégia política e reforçar a bandeira da anistia como prioridade.
‘PL da dosimetria’ perde força dentro do partido
O projeto que propõe a anistia teve urgência aprovada em setembro, o que permite votação direta em plenário. O relator escolhido foi o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), que já indicou que seu parecer não deverá seguir o modelo de anistia “ampla, geral e irrestrita” defendido pela oposição.
A possibilidade de reduzir penas sem extingui-las — apelidada de “PL da dosimetria” — foi discutida por algumas lideranças, mas enfrenta resistência do PL.
Flávio Bolsonaro reiterou que a legenda tentará mudar o texto durante a votação para restabelecer a versão original de anistia total. “Não temos compromisso com a dosimetria. Vamos buscar votos para aprovar a anistia ampla”, afirmou.
Se o projeto for finalmente pautado, a oposição deve apresentar um destaque para transformar o relatório em uma anistia irrestrita. A mudança, porém, dependerá de votação específica no plenário da Câmara.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado