Governo aposta em reaproximação com líderes da Câmara e do Senado para avançar em projetos-chave antes do recesso,
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou os esforços para reduzir a tensão instalada entre o Planalto e o Congresso nas últimas semanas. A avaliação interna é de que a deterioração no diálogo ameaçava travar pautas consideradas estratégicas, e o objetivo agora é garantir votações ainda em 2025.
A maior crise ocorreu no Senado após a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). A escolha contrariou o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), que defendia o nome do senador Rodrigo Pacheco. O descompasso político ficou evidente na derrubada de vetos presidenciais e na aprovação de matérias classificadas como “pauta-bomba”.
Na Câmara, o clima também ficou tenso após o rompimento entre o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) e o líder do PT, Lindbergh Farias, que criticou duramente a condução do PL Antifacção.
Mesmo assim, aliados de Lula afirmam que o pior já passou. Nesta semana, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reuniu-se com Motta e cobrou avanço de quatro pontos considerados vitais:
PEC da Segurança Pública
Projeto sobre devedor contumaz
Redução de benefícios tributários
Aprovação da LDO e LOA de 2026
A cobrança começou a surtir resultado. Motta escolheu o relator do projeto do devedor contumaz — Antonio Carlos Rodrigues (PL-SP) — destravando uma matéria parada desde 2023. Ele também confirmou que a PEC da Segurança avançará na próxima semana, com apresentação do relatório pelo deputado Mendonça Filho (União-PE).
Com o Senado, o governo busca igualmente suavizar atritos. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (AP), elogiou a postura de Alcolumbre na sessão de vetos e afirmou que o conflito é “circunstancial”.
Segundo Randolfe, um encontro direto entre Lula e Alcolumbre deve normalizar a relação. Nos bastidores, o Planalto avalia que estabilizar o diálogo com o Legislativo é essencial para evitar novos impasses nos primeiros meses de 2026.
Por: Manuel Messias
Foto: Pedro França/Agência Senado e Pablo Valadares/Câmara dos Deputados