Mara Casares, a ex-esposa do presidente afastado do São Paulo, Julio Casares e diretora feminina, cultural e Eventos do clube. – Foto: reprodução
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, na manhã desta quarta-feira (21), uma operação para apurar um suposto esquema de venda ilegal de camarotes no estádio do Morumbi. A investigação envolve dirigentes do São Paulo Futebol Clube e resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão contra pessoas ligadas ao caso.
Entre os alvos estão Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto das categorias de base do clube, e Mara Casares, diretora feminina, cultural e de eventos do São Paulo, além de ex-esposa do presidente afastado Julio Casares. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), ao menos três pessoas são investigadas formalmente nesta fase do inquérito.
A ação é conduzida pela 3ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Crimes contra a Administração Pública (DPPC) e busca reunir provas sobre a exploração irregular de espaços VIPs dentro do estádio, prática que, segundo as apurações, teria ocorrido fora dos canais oficiais do clube.
Investigação avança após impeachment do presidente
O avanço da operação ocorre poucos dias depois do afastamento temporário de Julio Casares da presidência do São Paulo. Na última sexta-feira (16), o Conselho Deliberativo aprovou, por ampla maioria, a abertura de um processo de impeachment contra o dirigente, justamente com base nas denúncias relacionadas ao uso e à comercialização de camarotes.
Com a saída de Casares, a presidência do clube passou a ser exercida de forma interina por Harry Massis Junior, que deverá permanecer no cargo até a convocação de uma Assembleia Geral, prevista para ocorrer em até 30 dias. Caso o impeachment seja confirmado, Massis Jr seguirá à frente do clube até o fim do mandato, em 2026.
Camarote em show de Shakira está no centro do caso
Segundo o Ministério Público de São Paulo, as suspeitas se concentram em um camarote vinculado à presidência do clube, utilizado durante o show da cantora Shakira, realizado no Morumbi em fevereiro de 2025. Há indícios de corrupção privada no esporte e possível coação no curso do processo judicial.
O caso ganhou repercussão após a divulgação de um áudio no qual Douglas Schwartzmann relata a obtenção de vantagens financeiras com a comercialização irregular do espaço. As investigações apontam que o camarote teria sido repassado à diretora Mara Casares, que organizou um evento paralelo ao show e acionou uma intermediária para a venda dos ingressos.
Áudio revela pressão e tentativa de ocultar esquema
De acordo com a apuração, alguns ingressos teriam sido vendidos por valores que chegaram a R$ 2,1 mil, prática considerada irregular. A situação se agravou quando a intermediária entrou na Justiça alegando não ter recebido os valores combinados pela venda dos pacotes.
O áudio divulgado posteriormente indica que dirigentes teriam pressionado a mulher a retirar a ação judicial, sob o argumento de que o processo poderia expor um esquema clandestino dentro do clube. Após a repercussão do caso, em dezembro de 2025, Douglas Schwartzmann e Mara Casares pediram afastamento de seus cargos.
A Polícia Civil informou que o material apreendido nesta nova fase da operação será analisado e poderá embasar novas medidas no inquérito, que segue em andamento.
Por: Bruno José