A disputa pelo comando do Palácio das Esmeraldas tem ampliado a presença de pré-candidatos em ambientes diretamente ligados ao agronegócio, setor que exerce forte influência política em Goiás. O governador Daniel Vilela (MDB), que busca a reeleição, e o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), que projeta candidatura nacional, têm reforçado a aproximação com lideranças rurais em uma tentativa de dialogar com um eleitorado historicamente simpático ao bolsonarismo.
O movimento ocorre em meio à leitura de bastidores de que o agronegócio goiano, além do peso econômico, possui relevância decisiva nas composições políticas e na transferência de votos, especialmente em um cenário em que diferentes pré-candidaturas buscam espaço no mesmo segmento.
Disputa pelo mesmo eleitorado
O ex-governador Marconi Perillo (PSDB), também pré-candidato ao governo estadual, tem adotado a mesma estratégia. Aliados do tucano indicam que a escolha de um nome ligado ao agronegócio para compor sua chapa como vice é considerada uma alternativa viável para ampliar a capilaridade junto ao setor.
Durante participação na Tecnoshow, realizada em Rio Verde neste mês, Perillo defendeu a necessidade de políticas públicas que garantam segurança e condições para o produtor rural. Segundo ele, o agro segue como motor da economia nacional, responsável por exportações, geração de empregos e arrecadação.
Analistas observam que a presença constante de pré-candidatos em feiras e eventos do setor não é casual, mas parte de uma estratégia clara para se conectar com uma base eleitoral que tem demonstrado alinhamento com pautas conservadoras.
Vínculos estratégicos com lideranças rurais
Na última semana, Ronaldo Caiado participou do Farm Day 2026, em Cariri do Tocantins, ao lado do presidente licenciado da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás, José Mário Schreiner, e da pré-candidata ao Senado Gracinha Caiado (UB).
Ex-deputado federal e ex-vice-líder do governo Jair Bolsonaro no Congresso, José Mário é reconhecido pela facilidade de diálogo com produtores rurais e com eleitores identificados com o bolsonarismo — público com forte presença no interior do Estado.
O nome de Schreiner, inclusive, é citado por interlocutores como uma possibilidade para compor como vice em chapas majoritárias, justamente pelo peso político que possui dentro do agronegócio goiano.
Peso eleitoral do agronegócio
A avaliação entre articuladores políticos é de que o apoio de lideranças do setor pode reduzir resistências e ampliar a aceitação de candidaturas em um eleitorado estratégico. Em Goiás, municípios com forte presença da agropecuária costumam apresentar comportamento eleitoral influenciado por essas referências locais.
Nesse contexto, a aproximação de Daniel e Caiado com nomes relevantes do setor é interpretada como tentativa de dialogar diretamente com essa base, em um momento em que outras pré-candidaturas também buscam ocupar o mesmo espaço.
A movimentação indica que, mais do que uma pauta econômica, o agronegócio se tornou peça central nas articulações políticas para 2026 no Estado.
Por: Sidney Araujo
