O estado de Goiás desponta como um dos maiores polos de terras raras do Brasil, com áreas em desenvolvimento, projetos de mineração e potencial para atrair investimentos estrangeiros e nacionais no setor de minerais críticos. A importância econômica e estratégica desses elementos vem crescendo diante da demanda global por componentes usados em tecnologia de ponta.
Onde estão as reservas goianas
A região norte de Goiás, especialmente no município de Minaçu, concentra uma das maiores reservas de terras raras do país e abriga a única unidade de processamento de terras raras pesadas da América Latina, iniciada em 2024.
Esse projeto — liderado pela mineradora Serra Verde — tem depósito com elevadas concentrações de elementos como neodímio (Nd), praseodímio (Pr), térbio (Tb) e disprósio (Dy), minerais essenciais para a produção de ímãs permanentes usados em motores elétricos, turbinas e tecnologia de defesa.
Além de Minaçu, Goiás conta com outros dois projetos de destaque:
Em Nova Roma, há investimentos previstos de cerca de R$ 2,8 bilhões em processamento de argilas iônicas, com expectativa de gerar milhares de empregos.
Em Iporá, a mineradora canadense Appia Rare Earths & Uranium Corp. anunciou um projeto com reserva estimada de 52 milhões de toneladas de terras raras, com teor acima da média mundial para esse tipo de depósito.
Importância econômica e parcerias
As terras raras fazem parte do grupo de minerais críticos essenciais para as cadeias de tecnologia e energia renovável, incluindo produção de baterias, painéis solares, chips de computador e imãs de alto desempenho. Embora o Brasil detenha a segunda maior reserva mundial desses minerais, depois da China, sua exploração ainda está se desenvolvendo devido à necessidade de tecnologias avançadas para processamento.
Nos últimos meses, Goiás assinou um memorando de entendimento com os Estados Unidos para mapear e desenvolver, em parceria técnica, áreas com potencial de terras raras, e estabelecer políticas que incentivem a extração e o processamento local.
Desafios e oportunidades
Especialistas observam que, apesar do potencial, a exploração de terrenos raros ainda exige investimentos em tecnologia e infraestrutura para que o Brasil possa competir internacionalmente e agregar mais valor a esses recursos — não apenas como exportador de matéria-prima, mas como fornecedor de produtos industriais de alto valor agregado.
Com projetos avançados em diferentes municípios goianos e parcerias internacionais em andamento, o estado está no caminho de se consolidar como protagonista na cadeia global de minerais críticos, abrindo portas para investimentos e desenvolvimento tecnológico nas próximas décadas.
Por: Sidney Araujo