Protesto Emocional em Defesa da Eldorado
Na manhã deste domingo (3), aproximadamente 400 pessoas se reuniram em frente ao Masp, em São Paulo, para protestar contra o fechamento da Rádio Eldorado, previsto para o dia 15 de maio. Com cartazes em mãos e um megafone, os ouvintes expressaram sua indignação e o forte apego emocional à emissora, que está no ar há quase 70 anos.
O Fim de uma Era
A Rádio Eldorado, parte do grupo Estado, operava em parceria com a Fundação Brasil 2000 com uma programação educativa. O término dessa colaboração, aliado às transformações no consumo de mídia, levou à decisão de descontinuar suas atividades. Essa mudança impactará diretamente cerca de 60 profissionais que trabalham na rádio, enquanto a frequência será transferida para a Band após o desligamento.
Mobilização Online
Nina Vogel, a artista que organizou o protesto, lançou um abaixo-assinado na plataforma Change.org que já acumulou milhares de assinaturas. Além disso, outras petições relacionadas ao mesmo tema somam quase 15 mil apoios, demonstrando a força e a determinação dos ouvintes em manter a emissora viva.
A Importância Cultural da Rádio
“A rádio é um patrimônio imaterial do Brasil”, declarou Nina durante a manifestação. Ela enfatizou que a Eldorado não é apenas uma emissora, mas uma instituição que forma ouvintes e representa uma verdadeira escola de aprendizagem cultural.
Suporte de Personalidades
O vereador Nabil Bonduki (PT) também esteve presente e ressaltou a relevância da Eldorado na preservação da memória musical e na defesa da liberdade de expressão. Ele se mostrou favorável ao modelo de gestão comunitária e sem fins lucrativos como uma alternativa para a continuidade da rádio.
Celebração da Música e Liberdade
O protesto, que se estendeu por duas horas sob uma leve chuva, contou com a participação de diversos apresentadores da emissora, como Paula Lima e Roberta Martinelli. Esta última destacou a importância da curadoria musical e da liberdade editorial da Eldorado, que permite que conteúdos inovadores e literários sejam apresentados ao público.
Conexões Pessoais e Memórias
Eliana Mariani, assistente social de 59 anos, compartilhou como a rádio foi fundamental durante momentos difíceis de sua vida, especialmente durante o tratamento para câncer em 2021, quando enfrentou a solidão imposta pela pandemia. “Os locutores soam como se estivessem conversando diretamente comigo”, afirmou, refletindo a proximidade que a Eldorado estabelece com seus ouvintes.
Impacto e Legado
Os manifestantes expressaram sua paixão pela Eldorado, gritando frases como “Não é algoritmo. É Eldorado”. Baba Vacaro, um dos apresentadores, comentou sobre a liberdade que os locutores têm para criar e interagir de maneira autêntica com a audiência, um fator que é essencial para a essência da rádio.
Pedro Roberto Evangelista, um ouvinte fiel por 45 anos, recordou uma experiência inesquecível ao participar de um programa da Eldorado. “O que se ouve na Eldorado é único. Sinto que, se fecharem, estaremos um pouco órfãos”, foi seu desabafo ao refletir sobre a perda da rádio.
A mobilização em torno da Rádio Eldorado evidencia não apenas a luta por uma programação que mantém viva a cultura brasileira, mas também a forte conexão emocional que a emissora estabeleceu ao longo de suas décadas de história. A luta pela preservação desse patrimônio continua.