O dia em que Guimarães Rosa desafiou o destino
Foi numa manhã marcada por uma tensão sufocante que Guimarães Rosa se preparava para assumir uma das posições mais significativas de sua vida. Vestido em seu fardão, o novo membro da Academia Brasileira de Letras hesitava em deixar o lar. Com um desabafo angustiante, comentou para seu amigo, Geraldo França de Lima: “Não vou. Vou morrer”.
O peso do temor
O caminho até a Academia não era apenas uma simples trajetória físico, mas uma verdadeira travessia emocional. Enquanto o carro serpenteava pelas ruas do Centro do Rio, Rosa recitava as orações do terço que sua filha lhe havia presenteado. Um gesto simples, mas que revelava a profundidade de suas crenças e o peso que carregava naquele momento.
O insistente retorno
Ao chegar à porta da Academia, na Presidente Wilson, Rosa estava em puro estado de aflição. Ele pediu ao motorista, Ubirajara, que circulasse pelo quarteirão, talvez na esperança de ganhar algum tempo e acalmar a tempestade interna que o assombrava. “Para você, não tenho segredos”, disse novamente a França de Lima. Já era um presságio sombrio que o acompanhava: “Não chego a dezembro”.
A pressão da responsabilidade
Assumir um cargo na Academia representa não só o reconhecimento de uma carreira literária, mas também um fardo de expectativas. Rosa, um ícone da literatura brasileira, tinha plena consciência da responsabilidade que estava prestes a assumir. A insegurança e o medo do fracasso tremulavam como sombras diante de seu legado.
Momentos de reflexão
Enquanto dirigia, seu pensamento vagueava por lembranças e anedotas da vida. Não eram meras divagações, mas reflexões profundas sobre a vida, a morte e o ato de criar. Rosa sempre foi um homem que explorou as complexidades da existência, e aquele dia não seria diferente.
O chamado da literatura
Nas cercanias da Academia, Rosa sabia que os grandes desafios literários esperavam por ele. Os que se aventuraram a ver o mundo através de sua lente brutal e poética precisavam de um guia, e ele era esse guia. Mas, como todo artista, o peso de sua criação poderia ser opressivo, trazendo à tona dúvidas inquietantes.
Um novo marco
Naquela fatídica manhã, ao pisar no chão da Academia Brasileira de Letras, Rosa não apenas assumiu um cargo; ele abraçou seu destino. Apesar das ansiedades e inseguranças, Guimarães Rosa se tornou uma figura ainda mais icônica e relevante no mundo da literatura, eternizando em palavras os dilemas humanos e a beleza da vida.
Publicado por Maria Lucia













