A Arte que Desafia Conceitos
Waltercio Caldas, artista renomado e figura de destaque no cenário escultórico contemporâneo, oferece uma visão provocativa sobre o que significa criar arte na atualidade. Ele afirma que a verdadeira expressão artística reside no “quase”, um conceito que ele explora com profundidade em sua nova exposição na Casa Roberto Marinho, inaugurada recentemente.
O Impacto da Exposição “O (Tempo)”
Com mais de cem peças em exibição, sua mostra “O (Tempo)” não apenas celebra seus 80 anos de vida, que se completam em novembro, mas também desafia o espectador a reconfigurar sua perspectiva sobre a escultura e o espaço. Caldas coloca em questão as definições tradicionais: “Na minha arte, a escultura não é apenas escultura”, observa, ressaltando a fluides entre os diferentes meios.
A Montagem como Parte do Processo Criativo
Caldas considera a curadoria de suas exposições um prolongamento de seu trabalho artístico. Ele pessoalmente seleciona e organiza as obras, enxergando a montagem como uma atividade tão válida quanto a criação das próprias obras. Para ele, a relação com o espaço é fundamental para que a poética da arte se manifeste de forma significativa.
Interação com a Arquitetura
Um dos aspectos que mais influenciou sua abordagem nesta nova exposição é a maneira como as obras dialogam com o ambiente. Ao usar os cômodos de uma antiga residência, pertencente ao influente jornalista Roberto Marinho, ele busca estabelecer um diálogo harmônico, afirmando que “não se briga com a arquitetura; conversa-se com ela”.
Ritmo e Imersão na Experiência
Caldas também se preocupa em criar um ritmo durante a visitação. Cada ambiente da exposição é pensado para proporcionar experiências diversas, desde momentos de contemplação até reflexões profundas sobre a história da arte. Essa cadência é ressaltada pelas transições entre os espaços, que envolvem o público em uma jornada fluida.
Dialogando com o Digital e a Superficialidade
Caldas se posiciona criticamente em relação à influência do digital na arte contemporânea. Ele nota uma desconexão entre a arte e sua apreciação na sociedade, onde alguns enxergam a arte como um simples “aplicativo” para decorar a realidade. Essa visão o inquieta, e ele expressa sua crença na arte como uma força independente que transcende as superficialidades do consumo e das tendências passageiras.
A Arte Independente do Tempo
A reflexão de Caldas é clara: suas obras não querem ser vistas apenas sob a influência do tempo, mas sim apresentarem-se como uma presença constante. A artística trabalha com objetos identificáveis, e, segundo ele, “é uma crítica ao conceito de arte que se limita à representação”. Sua visão é uma resistência ao efêmero, celebrando a durabilidade e a profundidade da experiência artística.
Artigo publicado por Maria Lucia.













